Risco de Pobreza Afeta Quase Todas as Crianças Ciganas em Portugal

Risco de Pobreza Afeta Quase Todas as Crianças Ciganas em Portugal


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No que diz respeito ao risco de pobreza, a percentagem global de ciganos em Portugal atinge 93%, enquanto que para a população não cigana esse valor é de 17%.

Conforme destacado pela FRA, entre os 13 países analisados (Bulgária, República Checa, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Portugal, Roménia, Espanha, Albânia, Macedónia do Norte e Sérvia), a média mostra que 77% das crianças ciganas/nómadas com menos de 18 anos vivem em lares com risco de pobreza.

A FRA evidencia uma “melhoria” em comparação aos inquéritos de 2021 e 2016, mas destaca que “as taxas de risco de pobreza entre as crianças são superiores às dos ciganos/nómadas de forma geral em todos os países analisados”.

“Não existem diferenças significativas entre meninas e meninos ou entre crianças com menos de 15 anos e aquelas com mais de 15 anos. Assim como observado para a população cigana/nómada em geral, a porcentagem de crianças em risco de pobreza tende a ser inferior em áreas com baixa concentração de ciganos/nómadas”, afirma a FRA.

Relativamente à privação material severa, Portugal apresenta dados semelhantes aos da Roménia no que diz respeito a crianças ciganas com menos de 18 anos, com uma taxa de 47%, enquanto a média para crianças da população em geral é de 21%.

Isso significa que quase metade das crianças ciganas portuguesas vive em lares incapazes de atender a pelo menos quatro das nove privações materiais básicas, como a falta de recursos para despesas inesperadas, não poder aquecer a casa ou a falta de carne/peixe a cada dois dias devido a dificuldades financeiras.

A FRA alerta que, em 2024, 40% das crianças ciganas na Europa habitavam em famílias com privação material severa e, apesar dos avanços, “as disparidades em comparação com os dados de 2020 referentes à população em geral continuam altas, alcançando 42 pontos percentuais em Portugal”.

Associada à pobreza e à privação material, surge a questão da habitação, onde Portugal se destaca como um dos dois países em que a percentagem de ciganos vivendo em condições precárias aumentou, subindo para 78%, em comparação com 66% no inquérito de 2021.

A FRA indica que “um em cada dois ciganos/nómadas (47%) reside em condições precárias, ou seja, em habitações que são úmidas, pouco iluminadas ou sem instalações sanitárias adequadas”.

“Embora a taxa tenha melhorado desde 2016, quando era de 61%, continua a ser significativamente superior à taxa de 18% registada na população em geral da UE em 2023 e 2018”, ressalta a agência europeia.

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