Uma flotilha internacional com destino à Gaza, carregando ajuda humanitária e composta por três cidadãos portugueses — a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, o ativista Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício — foi interceptada pela Marinha israelita hoje.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros emitiu um comunicado no qual informou que os serviços consulares da Embaixada de Portugal em Telavive pediram às autoridades israelitas que “assim que possível” sejam informados sobre a situação e a localização dos portugueses que fazem parte da flotilha.
O propósito é assegurar “a devida proteção diplomática e consular”, conforme mencionado.
“As autoridades israelitas garantiram que é sua intenção tratar todos com dignidade e sem uso da força, explicando que a operação de abordagem levará algum tempo, considerando o grande número de embarcações, e que assim que for viável, teremos a oportunidade de visitar os cidadãos nacionais envolvidos na flotilha”, acrescentou o ministério liderado por Paulo Rangel.
A mesma fonte destacou que os serviços consulares “já conseguiram estabelecer contato com um dos portugueses em alto mar”, sem especificar qual, reforçando que houve total disposição para oferecer todo o suporte necessário.
A diplomacia portuguesa enfatizou ainda na mesma declaração que desde o início da missão humanitária “houve sempre uma vigilância sobre os portugueses que fazem parte da flotilha, incluindo assistência diplomática em Tunes”.
“A proteção consular sempre esteve garantida, como foi mencionado desde o primeiro momento. É amplamente conhecido o acompanhamento fornecido, a pedido do Governo português, pela frota italiana, assim como a alternativa para a entrega efetiva da ajuda humanitária”, acrescentou.
O Bloco de Esquerda anunciou na noite de hoje que solicitou, com caráter de urgência máxima, uma reunião com o Presidente da República e com o ministro dos Negócios Estrangeiros sobre a detenção dos portugueses a bordo da flotilha.
A líder do BE, Joana Mortágua, comentou à Lusa, ao confirmar a detenção de Mariana Mortágua e Sofia Aparício, que o Governo português, bem como outros países, deveriam garantir proteção a todos os integrantes da flotilha e aplicar sanções a Israel.
“Isso é insuportável, Israel está a deter ilegalmente, supostamente em águas internacionais, ativistas que estão a estabelecer um corredor humanitário”, afirmou, quando questionada sobre suas expectativas em relação ao Governo português.
A flotilha, constituída por cerca de 50 embarcações, uma delas sob bandeira portuguesa, partiu de Espanha com a finalidade de quebrar o bloqueio israelense e entregar suprimentos à Faixa de Gaza. O Governo de Israel alegou que a iniciativa é apoiada pelo grupo extremista palestino Hamas.
[Notícia atualizada às 22h08]
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