A dirigente do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, anunciou nesta sexta-feira que estão em andamento negociações para que o cônsul de Portugal em Israel acompanhe os ativistas detidos em uma prisão no deserto de Neguev até que sejam libertados, após a denúncia da “situação degradante” que foi testemunhada pela embaixadora Helena Paiva.
“A situação degradante que a embaixadora presenciou resultou em uma negociação para que o cônsul possa permanecer com os cidadãos portugueses na prisão até a sua libertação, a fim de monitorar a condição deles”, afirmou a responsável em entrevista à SIC Notícias.
Esses comentários surgiram após a irmã de Mortágua, Mariana, ter enviado uma nota à família, onde informava que estava em uma cela com outras 12 pessoas, “sem comida nem água por 48 horas“.
“Não sabemos se a Mariana tem ideia de há quantas horas está sob custódia. Não temos conhecimento se a deixaram dormir ou não. Israel não é conhecido por respeitar os direitos humanos em suas prisões, por isso não podemos presumir nada. […] O que sabemos é que Israel garantiu ao Governo português que trataria os detidos com dignidade, mas essa dignidade não existe”, denunciou Joana Mortágua.
A dirigente do Bloco expressou ainda sua perplexidade quanto à “diferença de tratamento” entre os activistas portugueses e os quatro deputados italianos que chegaram hoje ao aeroporto de Fiumicino, em Roma.
De qualquer forma, Joana Mortágua destacou que “os membros da flotilha foram colocados em exposição para que um dos ministros, um dos mais infames do governo de Israel, pudesse produzir um vídeo de propaganda, enquanto os insulta, como se fossem criaturas de circo”.
“Isso é a primeira evidência de que a garantia de Israel ao Governo português de que os membros da flotilha que foram ilegalmente detidos seriam tratados com dignidade e que seus direitos individuais seriam respeitados […] não vale nada. É absolutamente sem valor”, afirmou.
A ex-parlamentar também apresentou uma linha do tempo dos eventos: “Houve uma detenção ilegal. Desde esse momento, não temos comunicação com nenhum dos detidos. Zero. Eles foram submetidos a essa situação degradante pelo ministro ainda no porto. Foram levados para o deserto em condições que a diplomacia descreveu como caóticas. […] Isso se traduz para situações degradantes, no melhor dos casos. Depois, foram encarcerados nessa prisão. A embaixadora teve a oportunidade de visitá-los e nos relatou que, embora estejam com saúde, as condições na prisão são bastante precárias. Há falta de água potável, falta de comida e nenhuma condição para repouso. Logo após isso, minha mãe recebeu uma mensagem do cônsul enviada pela Mariana.”
Joana Mortágua anunciou ainda que, atendendo ao apelo da irmã, haverá uma manifestação no próximo sábado, às 15h00, em Martim Moniz, Lisboa.
“Mãe, estou bem, mas não estão nos tratando bem, sem comida nem água durante 48 horas. Por favor, organizem a manifestação”, pediu a deputada em uma mensagem transmitida à família pelo cônsul.
Mariana manda mensagem à família pelo cônsul. pic.twitter.com/YGHQJf76Ln
— Joana Mortágua (@JoanaMortagua) 3 de outubro de 2025
Vale lembrar que, segundo fontes oficiais do Governo, os quatro cidadãos portugueses da Flotilha Global Sumud detidos em Israel estão “bem de saúde, apesar das condições difíceis”. Contudo, “várias queixas” provocaram um “protesto imediato” da embaixadora portuguesa em Israel.
Helena Paiva, que visitou os ativistas, “pôde confirmar que todos se encontravam bem de saúde, apesar das condições difíceis e duras enfrentadas ao chegarem ao porto de Ashdod e no centro de detenção”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em nota à Lusa.
“Eles não foram alvo de violência física, apesar das várias queixas – que foram a razão para o protesto imediato por parte da embaixadora de Portugal em Israel”, acrescentou o Palácio das Necessidades.
É importante ressaltar que a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício, além dos ativistas Miguel Duarte e Diogo Chaves, estão entre os mais de 450 participantes da missão humanitária detidos pelas forças israelenses, que interceptaram cerca de 50 embarcações que faziam parte da flotilha entre quarta e quinta-feira.
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