Uma nova análise que envolveu mais de 20.000 pacientes de três grandes estudos dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) revelou que níveis elevados de Lipoproteína(a) [Lp(a)] estão associados a um risco contínuo de doenças cardiovasculares, mesmo em indivíduos que recebem tratamento padrão. As descobertas sugerem que pacientes com altos níveis de Lp(a) podem necessitar de um gerenciamento mais intenso dos fatores de risco para doenças cardíacas. Os pesquisadores apresentaram os resultados em caráter urgente nas Sessões Científicas de 2026 da Sociedade de Angiografia e Intervenções Cardiovasculares (SCAI) e na Cúpula da Associação Canadense de Cardiologia Intervencionista (CAIC-ACCI) em Montreal.
A Lp(a) é uma partícula que transporta colesterol presente no sangue. Ela se assemelha ao colesterol LDL, frequentemente chamado de “mau” colesterol, mas inclui uma proteína extra que pode torná-la mais prejudicial para o sistema cardiovascular. Altos níveis de Lp(a) geralmente são herdados e podem aumentar o risco de doenças cardíacas, mesmo quando os níveis de colesterol padrão parecem normais.
Especialistas estimam que aproximadamente 20% da população apresenta Lp(a) elevado, embora a maioria das pessoas não tenha consciência disso, uma vez que a condição normalmente não causa sintomas. Apesar de os pesquisadores já terem estabelecido a ligação entre altos níveis de Lp(a) e doenças cardiovasculares, ainda restavam dúvidas sobre a força com que isso prevê o risco futuro em indivíduos, tanto com quanto sem doenças cardíacas preexistentes.
Estudos do NIH Revelam Risco Elevado de Derrame e Mortalidade
Para investigar esse aspecto, os pesquisadores analisaram amostras de plasma armazenadas de 20.070 adultos com 40 anos ou mais que participaram dos ensaios clínicos randomizados ACCORD, PEACE e SPRINT do NIH. Todas as amostras foram analisadas em um laboratório translacional especializado utilizando um ensaio padronizado e medido segundo o padrão atual de relato de nmo/L.
Os participantes foram divididos em grupos com base em seus níveis de Lp(a) (<75, 75-125, 125-175 ou ≥ 175 nmo/L) e na presença de doenças cardiovasculares. Modelos estatísticos consideraram fatores como idade, condições médicas, níveis lipídicos e histórico de tratamento.
A média de idade dos participantes era de 65,2±8,5 anos, com 64,9% sendo homens. Os pesquisadores monitoraram eventos adversos cardiovasculares maiores (EACM), incluindo infarto do miocárdio, derrame, revascularização coronariana e morte cardíaca.
Durante um período de acompanhamento médio de 3,98 anos, 1.461 (7,3%) eventos cardiovasculares maiores ocorreram. Pacientes com níveis de Lp(a) iguais ou superiores a 175 nmo/L apresentaram um risco significativamente maior de EACM (HR 1,31, IC 95%: 1,10-1,55), morte cardiovascular (HR 1,49, IC 95%: 1,07-2,06) e derrame (HR 1,64, IC 95%: 1,14-2,37). No entanto, os níveis elevados de Lp(a) nesse limiar não estavam associados a um risco maior de infarto.
A associação foi mais forte entre os participantes que já apresentavam doenças cardíacas (HR 1,30, IC 95%: 1,07-1,57) em comparação àqueles sem doença estabelecida (HR 1,18, IC 95%: 0,91-1,54).
Teste de Sangue Simples Poderia Identificar Pacientes com Alto Risco
“Pela primeira vez, podemos quantificar o nível específico de Lp(a) que coloca os pacientes em um risco significativamente maior de eventos cardiovasculares maiores, especialmente derrames e mortes”, afirmou Subhash Banerjee, MD, FSCAI, cardiologista intervencionista da Baylor Scott & White em Dallas, Texas.
“Independentemente da idade, os pacientes podem realizar um simples e econômico teste de sangue para determinar se têm essa condição genética. Se níveis elevados de Lp(a) forem detectados, devem trabalhar em estreita colaboração com seu provedor de saúde para reduzir agressivamente o colesterol LDL e gerenciar outros fatores de risco cardiovascular o máximo possível. Esse conhecimento é especialmente valioso com as novas opções de tratamento direcionadas surgindo no horizonte.”
Os pesquisadores acrescentaram que o estudo de biospecimens armazenadas de ensaios clínicos concluídos pode continuar a revelar insights valiosos. Análises futuras devem se concentrar em grupos de pacientes adicionais, incluindo pessoas com doença renal crônica e doença arterial periférica.



