O uso de suplementos alimentares cresceu de forma acentuada nos últimos anos. Vitaminas, minerais e outros produtos nutricionais são frequentemente promovidos como formas fáceis de aumentar a energia, apoiar a imunidade, proteger a saúde cerebral ou até mesmo promover a longevidade. Para muitas pessoas, o uso de suplementos pode parecer um hábito saudável e proativo.
Porém, essa percepção pode ser enganosa. Para aqueles que já possuem nutrição adequada, muitos suplementos oferecem pouco ou nenhum benefício mensurável. Alguns são simplesmente um gasto desnecessário. Outros não estão isentos de riscos: doses elevadas de determinadas vitaminas e minerais podem causar toxicidade, interferir em medicamentos ou resultar em efeitos adversos à saúde.
No entanto, para os idosos, a situação é mais complexa. A questão mais relevante não é apenas se os suplementos são “bons” ou “maus”, mas se a pessoa realmente apresenta deficiência, o que pode estar causando essa deficiência e se um suplemento é a maneira mais segura de resolver isso.
Deficiências nutricionais se tornam mais comuns com o avanço da idade. O apetite pode diminuir, a saúde bucal pode piorar, doenças crônicas se tornam mais frequentes e muitos idosos usam medicamentos que afetam a maneira como os nutrientes são absorvidos, utilizados ou eliminados do corpo. Problemas de saúde bucal, como perda de dentes, doenças gengivais e próteses mal ajustadas, podem dificultar a mastigação e reduzir a variedade alimentar.
A vida na terceira idade é frequentemente cercada por mensagens alimentares não muito úteis: coma menos, perca peso, evite refeições “pesadas”, utilize apenas alimentos macios. No entanto, essas mensagens podem entrar em conflito com a contínua necessidade do corpo por proteínas, vitaminas e minerais. Com o tempo, refeições pequenas, sopas, torradas e chá podem se tornar uma dieta que enche o estômago sem atender às necessidades nutricionais.
Isso não significa que cada idoso necessite de suplementos. Significa que a suplementação deve ser direcionada: baseada em deficiências confirmadas, fatores de risco claros, uso de medicamentos ou evidências de que alguém não esteja recebendo o suficiente da alimentação.
A vitamina B12 é um dos exemplos mais evidentes. A deficiência de B12 se torna mais comum com a idade, em parte porque o estômago pode produzir menos ácido, necessário para liberar a B12 dos alimentos. Níveis baixos de B12 podem desencadear anemia, fadiga, problemas nervosos, formigamento ou dormência, e ocasionalmente problemas de memória ou confusão. Certos medicamentos, incluindo metformina e inibidores da bomba de prótons, podem aumentar ainda mais o risco. A suplementação de B12 em altas doses costuma funcionar bem, embora algumas pessoas necessitem de injeções.
O folato é igualmente importante, especialmente para a formação de glóbulos vermelhos e produção de DNA. Níveis baixos de folato podem elevar a homocisteína, um marcador sanguíneo associado a doenças cardiovasculares e declínio cognitivo, embora isso não prove que suplementos de folato previnam ambos. Folato ou outras vitaminas do complexo B podem ser benéficos para grupos selecionados, como pessoas com baixo status de folato ou B12, homocisteína elevada ou leve comprometimento cognitivo. Mas a deficiência de B12 deve ser considerada antes que folato seja prescrito isoladamente, pois o folato pode melhorar alguns sinais sanguíneos de deficiência de B12 enquanto o dano nervoso continua.
A vitamina D é outra preocupação comum. A deficiência é mais provável em idosos com exposição solar limitada, mobilidade reduzida, pele mais escura, residentes de lares de cuidados ou dietas pobres em alimentos ricos em vitamina D. A suplementação pode ser apropriada quando os níveis estão baixos, a exposição ao sol é limitada, ou quando alguém tem osteoporosis, quedas recorrentes ou risco elevado de fraturas. Contudo, mais não significa automaticamente melhor. Um grande ensaio descobriu que a suplementação de vitamina D não reduziu significativamente o risco de fraturas em adultos de meia-idade e mais velhos que não foram selecionados por deficiência.
Cálcio e magnésio são importantes para a função óssea, muscular e nervosa, mas, sempre que possível, devem ser obtidos através da alimentação. Suplementos podem ser úteis quando a ingestão alimentar é insuficiente ou quando há presença de osteoporosis, mas a ingestão excessiva deve ser evitada. O magnésio é frequentemente promovido para o sono, mas as evidências sobre o uso rotineiro como tratamento para insônia ainda são limitadas.
Multivitaminas podem ser úteis para idosos que consomem muito pouco ou têm pouca variedade na dieta, mas não devem ser vistas como um seguro nutricional para todos. Em um grande estudo envolvendo três coortes nos EUA, o uso diário de multivitaminas não estava associado a um menor risco de mortalidade. Outras investigações estão explorando se as multivitaminas podem influenciar marcadores de envelhecimento biológico, mas ainda não está claro se isso se traduz em melhor saúde, independência ou longevidade.
Um dos “suplementos” mais negligenciados na maturidade não é uma vitamina, mas sim a proteína. Muitos idosos consomem pouca proteína ou evitam alimentos ricos em proteína, como carne, peixe, ovos, laticínios, feijões ou lentilhas. A baixa ingestão pode contribuir para a sarcopenia, a perda relacionada à idade de massa muscular e força, aumentando o risco de quedas, fragilidade e perda de independência. Grupos de especialistas comumente recomendam cerca de 1,0 a 1,2 gramas de proteína por quilograma de peso corporal por dia para idosos saudáveis. Necessidades maiores são, às vezes, necessárias durante doenças, fragilidade ou recuperação, a menos que alguém tenha recebido orientação para restringir a proteína devido a doença renal ou outra condição.
Suplementação excessiva ou feita sem supervisão pode ser prejudicial. Altas doses de vitamina D ou A podem causar toxicidade. O ferro não deve ser tomado sem confirmação de deficiência, a menos que orientado por um profissional de saúde. Alguns suplementos interagem com medicamentos. E revisões de evidências encontraram que alguns suplementos antioxidantes em altas doses, particularmente beta-caroteno e vitamina E, podem aumentar o risco de mortalidade em algumas populações.
Uma abordagem sensata começa com a alimentação, não com pílulas. Isso significa observar o apetite, mudanças de peso, problemas para mastigar ou engolir, diversidade alimentar, condições médicas, uso de medicamentos e se alguém tem apoio suficiente para fazer compras, cozinhar e se alimentar de maneira adequada. Testes sanguíneos podem ser necessários, especialmente para vitamina B12, folato, ferro e vitamina D.
A evidência não apóia a suplementação universal para todos os idosos. No entanto, o uso direcionado de vitamina D, vitamina B12, folato e, em alguns casos, um suplemento multivitamínico ou de proteína pode ser útil quando há deficiências ou baixa ingestão.
Os suplementos podem desempenhar um papel no envelhecimento saudável, mas não são um atalhos. As bases continuam sendo a nutrição equilibrada, exercícios de força, sono adequado, conexão social e acesso a alimentos de qualidade. O melhor suplemento é aquele que atende a uma necessidade real, e não aquele com as promessas mais chamativas no rótulo.



