Do Século XVII até Hoje: O Que Guarda o Arquivo Municipal de Gondomar?

Do Século XVII até Hoje: O Que Guarda o Arquivo Municipal de Gondomar?



Ao falarmos sobre arquivos, é comum que visualizemos estantes cheias de documentos envelhecidos, caixas abarrotadas de papéis e livros que o tempo esqueceu. No entanto, essa visão tradicional não reflete a totalidade da realidade.

No Dia Internacional dos Arquivos, celebrado hoje, dia 9, abrimos simbolicamente as portas do Arquivo Municipal de Gondomar para explorar alguns dos documentos, histórias e curiosidades que são cruciais para a preservação da memória coletiva do nosso concelho.
Entre os inúmeros registros armazenados, destaca-se um documento com mais de 330 anos: o Livro da Confraria dos Defuntos da freguesia do Salvador de Fânzeres, datado de 1693, que contém deliberações, estatutos e informações pertinentes à vida da confraria e da comunidade daquela época.

Este é apenas um dos muitos testemunhos históricos que foram preservados.
Os antigos títulos fiduciários e os livros de atas, que documentam o fato de Rio Tinto e São Pedro da Cova terem sido concelhos independentes, são alguns dos registros que mais intrigam tanto pesquisadores quanto visitantes. Esses documentos são essenciais para entender a evolução administrativa e territorial da região ao longo dos séculos.

Os livros de atas das reuniões da câmara municipal são, de fato, fontes valiosas para conhecer a história de Gondomar. Através deles, temos um acompanhamento das decisões e eventos que moldaram a vida do concelho ao longo do tempo.

Entretanto, preservar a memória vai além do simples armazenamento de documentos.
Por trás de cada volume, fotografia, planta ou processo administrativo, existe um trabalho técnico contínuo que se inicia muito antes de qualquer documento chegar às mãos de um pesquisador ou cidadão.

Receber, avaliar, organizar, classificar, higienizar, acondicionar, digitalizar e descrever são apenas algumas das atividades desempenhadas diariamente pela equipe do Arquivo Municipal. Este labor é meticuloso e assegura não apenas a conservação física dos documentos, mas também sua futura acessibilidade.

Frequentemente, o aspecto menos visível desse trabalho envolve as decisões que definem o que deve ser preservado para as próximas gerações e o que pode ser descartado, além da crescente integração tecnológica relacionada à digitalização e à preservação digital da informação.

O cuidado com registros mais antigos requer medidas especializadas. A manutenção da temperatura e umidade, a proteção contra luz, o uso de materiais apropriados para acondicionamento, e os esforços contínuos de limpeza, monitoramento e restauração são cruciais para garantir a durabilidade desse patrimônio documental.

Paralelamente, o Arquivo Municipal tem se dedicado à promoção e democratização do acesso à informação histórica. Desde 2020, o Arquivo Histórico Digital se tornou disponível, uma plataforma online onde pesquisadores e cidadãos podem consultar centenas de documentos digitalizados relacionados à história, patrimônio e identidade de Gondomar.

Nos últimos anos, diversas exposições documentais também foram organizadas, abordando temas como as alminhas, os lavadouros e a Companhia de Transportes Gondomarense, iniciativas que aproximaram a comunidade de seu patrimônio documental e da sua história.

Mais do que um espaço de conservação, o Arquivo Municipal é um lugar de memória, conhecimento e cidadania. Aqui, não se preservam apenas documentos, mas também testemunhos que elucidam quem fomos, quem somos e como o concelho se desenvolveu ao longo dos séculos.

O conteúdo Do século XVII aos dias de hoje: o que guarda o Arquivo Municipal de Gondomar? foi publicado inicialmente em Câmara Municipal de Gondomar.


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