O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reagiu à recente detenção de três cidadãos portugueses – Miguel Duarte, Sofia Aparício e Mariana Mortágua – que faziam parte da flotilha humanitária que partiu, há aproximadamente um mês, de Barcelona, Espanha, com destino a Gaza.
Desde Copenhaga, na Dinamarca, onde participa na Cimeira da Comunidade Política Europeia, Luís Montenegro assegurou que está em “contato constante” com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, “que é quem está a coordenar” a situação.
“Estamos em contato com as autoridades israelitas, com o objetivo de assegurar a proteção destes portugueses e fornecer todo o suporte consular, como é nossa responsabilidade com todos os cidadãos portugueses que se encontram numa situação semelhante, considerando que não se deve ignorar a relevância de uma das detidas ser, além de tudo, titular de um órgão de soberania”, afirmou, referindo-se especificamente a Mariana Mortágua, líder do Bloco de Esquerda (BE).
Quanto à condição dos detidos e o local onde estão aguardando a deportação, o Primeiro-Ministro admitiu que “pessoalmente” não possui “informações nesse aspecto”, nem sobre quando os ativistas portugueses poderão retornar ao país.
Luís Montenegro expressou esperança de que todo o processo ocorra “com total normalidade e que o retorno dos portugueses aconteça sem incidentes”. “É essa a nossa expectativa e tem sido essa a informação que nos tem sido passada pelas autoridades israelitas”, acrescentou, mencionando que “caso seja necessário algum tipo de mecanismo de cooperação, estaremos disponíveis para participar”.
Antes de encerrar o assunto, Montenegro reiterou pontos já mencionados anteriormente. “Nós já havíamos comunicado que deveríamos ter um cuidado redobrado a partir do momento em que a flotilha se aproximasse do território israelense e de Gaza. Nesse sentido, era imprescindível observar todas as precauções para evitar qualquer incidente. Essa cautela podia ajudar a prever que alguma coisa acontecesse, como realmente ocorreu”, destacou.
Do ponto de vista da “mensagem política”, Montenegro defendeu que “a ação foi realizada”. Quanto à ajuda humanitária que a flotilha pretendia levar, o Primeiro-Ministro deseja que “isso vá muito além do que essa flotilha estava disposta a fornecer”.
“Portugal tem sido um defensor consistente no plano internacional da necessidade de respeitar não apenas o direito humanitário reconhecido na legislação internacional, mas também da urgência em garantir que toda a ajuda necessária chegue a essa região”, ressaltou.
Quando questionado se a viagem “fez sentido ou não”, Montenegro evitou tomar “qualquer posição”, destacando apenas que “havia uma mensagem política por trás da iniciativa e ela foi comunicada da forma que os participantes julgaram adequada”, admitindo que, se fosse ele a querer transmitir uma mensagem política “não o faria dessa maneira”. “Mas respeito aqueles que têm uma perspectiva diferente”, finalizou.
Vale lembrar que Mariana Mortágua, Sofia Aparício e Miguel Duarte estão entre os ativistas que integravam a flotilha humanitária que saiu em agosto rumo a Israel e que foram detidos pelas autoridades israelitas na noite passada.
Até o momento, pouco se sabe sobre as circunstâncias da detenção, que foi filmada e compartilhada nas redes sociais pela líder do BE. Sabe-se apenas que o Governo português está em negociações para trazer os ativistas de volta a Portugal.
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