Zero reclama de Portugal na Europa por violação da lei da água

Zero reclama de Portugal na Europa por violação da lei da água



Num anúncio comemorativo do Dia Nacional da Água, celebrado hoje, a associação destaca o “incumprimento generalizado” da Diretiva-Quadro da Água (DQA).

Na denúncia apresentada na última segunda-feira, conforme mencionado na nota, a Zero solicita o início imediato de um procedimento de infração contra Portugal pela não implementação dos caudais ecológicos.

A associação apela ainda ao Governo para que decreta uma moratória à construção de novas barragens em território nacional.

De acordo com a análise da Zero, 64% das barragens no continente não atendem aos critérios de definição e liberação de caudais ecológicos (a quantidade mínima de água que deve ser liberada para garantir o funcionamento dos ecossistemas aquáticos nos rios).

A Zero examinou 121 corpos de água e constatou que 50 não possuíam qualquer caudal ecológico estabelecido, enquanto 28 tinham esse caudal definido, mas sem a devida liberação de água, resultando em 78 albufeiras em incumprimento entre as 121 analisadas.

A Zero alerta que a ausência de caudais ecológicos prejudica a capacidade dos rios de se auto-purificarem, afeta a qualidade da água e a saúde dos ecossistemas, uma situação que se agrava pelo fato de apenas 7,4% das albufeiras possuírem dispositivos de transposição para peixes.

O não cumprimento da legislação tem impactos graves, como o declínio de 30% da Toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) em Portugal nos últimos dez anos, resultado da fragmentação dos rios (obstruções nas vias fluviais) e da falta de água ou descargas abruptas.

A Zero enfatiza a “contradição estratégica do Governo português ao continuar a promover e financiar ativamente projetos de novas barragens, enquanto falha em cumprir a DQA em mais de 60% das infraestruturas já existentes”.

Além disso, ressalta que a moratória à construção de novas barragens serve para forçar uma reavaliação estratégica da gestão hídrica, que atualmente prioriza a agricultura intensiva, responsável por mais de 70% do consumo de água no país.

A associação critica também o Governo por destinar fundos públicos a projetos controversos, como o Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato (Barragem do Pisão), e afirma que a construção de novas barreiras fluviais é incompatível com o objetivo legal de garantir o bom estado ecológico dos rios até 2027, assim como com os objetivos da Lei do Restauro da Natureza.

A ONU celebra o Dia Mundial da Água a 22 de março e, em Portugal, desde 1983, também se comemora o Dia Nacional da Água a 01 de outubro. Esta data marca o início do ano hidrológico, sinalizando o período do ano em que as reservas hídricas estão em seu nível mais baixo e quando começa o novo ciclo de chuvas.

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