Venda de raspadinhas em unidades de saúde não será proibida pela AR

Venda de raspadinhas em unidades de saúde não será proibida pela AR


Das diversas propostas apresentadas pelo Livre relacionadas com jogos online e a comercialização de raspadinhas, apenas cinco foram selecionadas para um estudo mais profundo na assembleia, sendo remetidas para a comissão sem votação.

Estão em discussão propostas que visam limitar a publicidade a jogos e apostas na Internet, proibir a divulgação desse tipo de jogos por influenciadores digitais e figuras públicas, vedar o patrocínio de eventos e competições (como no caso do futebol) por entidades que operam nesse setor, além de exigir que todos os jogos de azar incluam alertas sobre o risco de vício.

A única proposta que foi aprovada, contando com o voto contra do PSD e a abstenção do CDS-PP, referiu-se a uma recomendação do PS — um projeto que não possui força de lei — que sugere ao Governo a revisão e modernização do Regime Jurídico dos jogos online, a unificação e simplificação dos processos de autoexclusão para jogadores, o fortalecimento das entidades de fiscalização e até a destinação de verbas do setor para o investimento no turismo em regiões interiores do país.

Ficaram de fora outras propostas, como a que pretendia proibir a venda de bilhetes de loteria e raspadinhas em centros de saúde, que recebeu votos contrários do PSD, Chega, IL e CDS-PP, além da abstenção do PS.

No debate, o deputado do Livre, Paulo Muachore, contou a história de um jovem de 28 anos que sucumbiu a problemas de vício em jogos online, avisando que “em Portugal, as pessoas jogam cada vez mais, apostam montantes cada vez maiores e começam a jogar cada vez mais cedo”.

“Seja ao ligarmos a televisão, ao pegarmos no celular ou no computador, seja quando saímos à rua e encontramos propagandas em painéis, nos ônibus, no metrô, seja no cinema ou no estádio, somos constantemente bombardeados com a ilusão de um futuro milionário, onde não precisaríamos mais nos preocupar com nosso sustento ou o da nossa família. Basta clicar e apostar. Mas é apenas isso, uma ilusão”, alertou.

As primeiras críticas às propostas do Livre surgiram da bancada do PSD, representadas pelo deputado Hugo Carneiro, que, apesar de reconhecer a relevância da questão, enfatizou que estavam “começando a casa pelo telhado”.

“De que forma iniciamos a discussão neste plenário? Proibindo, proibindo, proibindo. Proibindo sem considerar se há questões de proporcionalidade ou de direitos constitucionais”, advertiu o deputado.

O social-democrata alertou que o equilíbrio de direitos pode estar em risco e sugeriu que as propostas fossem enviadas para especialização, sem votação, para um exame mais cuidadoso.

Pelo PS, Nuno Fazenda destacou que esse setor gera receitas significativas e o Estado arrecada impostos dessas fontes, mas ressaltou que “é fundamental que o Estado não se torne dependente ou viciado” nessas receitas.

O socialista alertou que as iniciativas do Livre, apesar de visarem um “objetivo louvável”, “necessitam de amadurecimento”, rejeitando “soluções que se baseiam na proibição”.

O deputado do Chega, Ricardo Reis, também acusou o Livre de “tendências totalitárias” e de realizar “ataques disfarçados à liberdade das pessoas e das empresas”, considerando que o partido tem “as prioridades invertidas”.

Miguel Rangel, da IL, e Paulo Núncio, do CDS-PP, apresentaram argumentos similares, com o liberal afirmando que não cabe ao Estado decidir se uma publicidade é boa ou má com “paternalismo condescendente”, e o centrista considerando as iniciativas como “injustas, inadequadas e desproporcionais”.

Pelo PCP, a líder parlamentar, Paula Santos, destacou que estamos diante de uma questão de saúde pública “que demanda intervenção estatal”, embora considerasse as iniciativas insuficientes.

No encerramento, o porta-voz do Livre, Rui Tavares, reiterou a necessidade de estabelecer normas para “proteger os mais vulneráveis” e respondeu ao Chega, que rotulou o seu partido como “partido-raspadinha”: “Um partido-raspadinha será aquele em que se vota num deputado e depois não se sabe se resulta em um ladrão de malas ou outra coisa qualquer”.

O BE buscava restringir as raspadinhas a uma única modalidade, enquanto o PAN pretendia banir as apostas em corridas de cavalos, mas essas propostas foram rejeitadas.

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