À medida que as pessoas envelhecem, o sistema imunológico tende a se desbalancear e a se tornar mais suscetível a disfunções. Essa alteração pode deixar os idosos mais expostos a condições graves, como a sepse. Uma nova pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Minnesota esclarece as razões por trás desse fenômeno, mostrando como certas células imunológicas, conhecidas como macrófagos, permanecem em um estado inflamatório conforme o corpo envelhece, com base em modelos pré-clínicos. O estudo foi publicado hoje na revista Nature Aging.
A equipe de pesquisa descobriu que os macrófagos envelhecidos produzem uma proteína chamada GDF3. Essa proteína envia sinais de volta para as mesmas células que a produzem, reforçando a atividade inflamatória e, em última análise, agravando a resposta do corpo à sepse. O trabalho, liderado pela estudante de graduação em bioquímica In Hwa Jang, revelou que o GDF3 atua por meio de uma via envolvendo SMAD2/3, provocando mudanças duradouras no genoma. Essas alterações fazem com que os macrófagos liberem níveis mais elevados de citocinas inflamatórias.
Um Potencial Alvo para Tratamentos Futuros
“Os macrófagos são essenciais para o desenvolvimento da inflamação; em nosso estudo, identificamos uma via que é utilizada para manter seu estado inflamatório”, afirmou Christina Camell, PhD, professora associada na Escola de Medicina e na Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade de Minnesota. “Nossos achados sugerem que essa via poderia ser bloqueada para prevenir a inflamação exacerbada que pode ser prejudicial à função dos órgãos e pode ser um alvo promissor para futuros tratamentos que visem reduzir a inflamação nociva.”
Experimentos adicionais demonstraram que a remoção do gene GDF3 reduziu respostas inflamatórias prejudiciais a toxinas bacterianas. A equipe também constatou que medicamentos que inibem a via de sinalização GDF3-SMAD2/3 alteraram o comportamento de macrófagos inflamatórios no tecido adiposo e melhoraram a sobrevivência em modelos pré-clínicos mais velhos expostos a infecções graves. Além disso, por meio de uma colaboração com Pamela Lutsey (Escola de Saúde Pública) e a análise de dados do Estudo de Risco de Aterosclerose nas Comunidades (ARIC), os pesquisadores descobriram que os níveis de GDF3 estão relacionados à sinalização inflamatória em adultos mais velhos.
Próximos Passos e Pesquisa em Andamento
Mais estudos são necessários para identificar os componentes moleculares precisos envolvidos nessa via e esclarecer como ela controla sinais inflamatórios específicos. Com base nessas descobertas, a Dr. Camell recebeu recentemente o Prêmio de Descoberta AFAR 2025, que apoiará investigações adicionais sobre como esses macrófagos inflamatórios afetam múltiplos órgãos metabólicos e a saúde metabólica geral.
Financiamento e Apoio
Esta pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional de Saúde [subsídios F99AG095479, R00AG058800, R01AG069819, R01AG079913], pela Professoria de Concessão McKnight, pela Glenn Foundation for Medical Research/AFAR 2025 Discovery Award, pelas Bolsas Diana Jacobs Kalman/AFAR para Pesquisa em Biologia do Envelhecimento e pela Equipe de Descoberta Médica sobre Biologia do Envelhecimento. O estudo Aterosclerose Risco nas Comunidades foi integralmente financiado ou em parte com recursos federais do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue, Institutos Nacionais de Saúde, Departamento de Saúde e Serviços Humanos, sob os Contratos nos. (75N92022D00001, 75N92022D00002, 75N92022D00003, 75N92022D00004, 75N92022D00005). A SomaLogic Inc. realizou os ensaios SomaScan em troca do uso dos dados do ARIC. Este trabalho foi parcialmente apoiado pela concessão NIH/NHLBI R01 HL134320.







