“Felizmente, a noite transcorreu de forma bastante pacífica, sem qualquer ocorrência relevante, exceto pelo atendimento normal”, declarou à agência Lusa o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada.
Conforme afirmou João Paulo Medeiros, os bombeiros estavam “prontos”, mas não foram acionados para atender a nenhum chamado em Ponta Delgada (cerca de 68 mil habitantes) e Lagoa (14.819 habitantes).
“É melhor prevenir do que remediar, como diz a sabedoria popular, mas neste caso, apesar da prontidão e dos recursos disponíveis a partir da meia-noite, não foi necessário mobilizar os bombeiros para qualquer situação nos municípios de Ponta Delgada e Lagoa”, destacou.
O presidente da Câmara da Ribeira Grande também mencionou que a noite se caracterizou por “ventos fortes a partir das 04h00” e “pouca precipitação”, e confirmou a ausência de incidentes na área marítima do concelho (32.698 residentes).
“Após as 07h00, o serviço municipal começou a ser contatado com algumas situações relatadas pelo Serviço Regional de Proteção Civil, como obstrução de vias e queda de árvores nas estradas públicas, mas nada de grave”, acrescentou.
Alexandre Gaudêncio, que também preside a Associação de Municípios dos Açores, descreveu o cenário como um “dia de inverno”.
“Continuaremos em alerta. Estamos com todos os serviços prontos para atuar no terreno”, assegurou.
O autarca ainda ressaltou que a Câmara recebeu muitos contatos sobre a situação das escolas, que permaneceram abertas em São Miguel e Santa Maria, ao contrário das demais sete ilhas.
“Recebemos muitos questionamentos sobre a abertura ou fechamento das escolas. Essa é uma competência que nos ultrapassa. As câmaras municipais, no contexto regional, não têm autonomia nessa questão. Neste caso específico, estamos alinhados com as orientações do Serviço Regional [de Proteção Civil]”, destacou.
No que diz respeito a Santa Maria, ilha do Grupo Oriental com aproximadamente 5.600 habitantes, o comandante dos bombeiros voluntários de Vila de Porto informou à Lusa que não houve registros de ocorrências no atendimento à população.
“Se há tempestade, só sabemos pelas notícias”, afirmou Élio Rodrigues, observando que os ventos na ilha chegaram a 60 quilômetros por hora, sem chuva significativa.
A presidente da Câmara de Vila do Porto, Bárbara Chaves, mencionou que nenhum serviço de prevenção foi mobilizado em Santa Maria, confirmando que não houve incidentes relacionados à passagem do ciclone Gabrielle pela ilha.
O ciclone Gabrielle começou a afetar os Açores por volta das 22h00 locais de quinta-feira.
Para as ilhas dos grupos Central (Pico, Faial, Graciosa, Terceira e São Jorge) e Ocidental (Flores e Corvo), foi emitido um aviso vermelho — a categoria mais alta de uma escala de três — em razão das previsões de chuvas, ventos e agitação marítima.
O Governo Regional declarou uma situação de alerta entre as 18h00 de quinta-feira e a mesma hora de hoje nos grupos Central e Ocidental, proibindo certas atividades e encerrando serviços públicos não urgentes e essenciais, incluindo escolas.
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