“T
Ela acrescentou que o Garcia de Orta, localizado em Almada, já enfrenta dificuldades devido à demanda da população dos municípios que atualmente atende (Almada e Seixal), ressaltando que “será um verdadeiro caos se também tiver que atender esta nova população”.
O ato de protesto foi organizado pelas Comissões de Utentes da Saúde do Arco Ribeirinho Sul e pela União de Sindicatos de Setúbal, tendo recebido o apoio da Federação Nacional dos Médicos (FNAM).
Em entrevista aos jornalistas, a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, afirmou que a concentração de urgências em uma unidade geral não faz sentido algum.
“O que estão a informar à população é que terão serviços encerrados e não contarão com serviços de urgência, ginecologia e obstetrícia acessíveis”, comentou.
Joana Bordalo e Sá enfatizou a “extrema importância” da manutenção da maternidade ativa para garantir que as gestantes da região recebam os cuidados necessários.
“Não é aceitável que se extingam serviços; pelo contrário, o certo é que se busquem soluções para garantir o funcionamento completo dos serviços”, ela afirmou, ressaltando que a questão não é a falta de médicos em Portugal, mas a carência de médicos dentro do Serviço Nacional de Saúde.
A solução, segundo ela, passa por oferecer salários justos e condições dignas de trabalho para que os médicos queiram permanecer no Serviço Nacional de Saúde.
O protesto contou ainda com a presença da deputada do PCP, Paula Santos, e da candidata da CDU à Câmara Municipal do Barreiro, Jéssica Pereira.
Jéssica Pereira comentou, em declarações à agência Lusa, sua grande preocupação com a possibilidade de encerramento da maternidade do hospital do Barreiro.
“É sumamente preocupante e inaceitável que se obrigue as gestantes de Sines a Almada a depender de uma única solução para terem seus filhos”, declarou.
A deputada Paula Santos também classificou como inaceitável a ideia de concentrar urgências, argumentando que essa proposta implica o fechamento de serviços e a diminuição dos cuidados acessíveis à população.
“Essa decisão, além de afetar as gestantes, gerará outra consequência que é empurrar mais profissionais de saúde para fora do Serviço Nacional de Saúde. Ao exigir que os profissionais desempenhem suas funções longe de seus locais de trabalho, corremos o risco de perder esses profissionais para o SNS”, ela destacou.
Além disso, ela acredita que o Hospital Garcia de Orta não terá capacidade para atender toda a Península de Setúbal, onde em 2024 ocorreram 4.800 partos nas três unidades de urgência (Almada, Setúbal e Barreiro).
No dia 17 de setembro, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, anunciou no parlamento a criação, a curto prazo, de uma urgência regional de obstetrícia na Península de Setúbal, com o Hospital Garcia de Orta em operação contínua e o Hospital de Setúbal recebendo casos encaminhados pelo SNS 24 e pelo INEM.
A ministra, que falava na Comissão Parlamentar de Saúde, informou ainda que em 2026 será aberto um concurso para a criação de um Centro Materno Infantil da Península de Setúbal, “que será localizado dentro do perímetro do Hospital Garcia de Orta”.
Diante desse anúncio, o prefeito do Barreiro criticou a ministra da Saúde por traçar estratégias sem consultar os prefeitos da Península de Setúbal e garantiu “oposição firme” ao possível encerramento da urgência de obstetrícia no hospital da cidade.
O prefeito comentou à agência Lusa que, pelas informações que os prefeitos têm recebido, “já que o contato com o Governo tem sido nulificado”, a obstetrícia deve continuar no hospital Nossa Senhora do Rosário, em Barreiro, mas as urgências da especialidade podem ser afetadas.
O Hospital Nossa Senhora do Rosário faz parte da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (ULSAR), que cobre diretamente os municípios de Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, todos no distrito de Setúbal.
De acordo com dados da Pordata, os quatro municípios possuem atualmente 232.604 habitantes.
A ULSAR inclui também o Hospital Distrital do Montijo e os centros de saúde de Alcochete, Barreiro, Quinta da Lomba, Moita, Montijo e Baixa da Banheira.
A população da região da Península de Setúbal é de 834.599 habitantes, segundo dados de 2023 do INE.
Essa região abrange nove municípios (Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Setúbal, Sesimbra e Palmela) e é uma das mais densamente povoadas do país.
Leia também: Fogo deflagrou na Academia Almadense e alcançou a sala de espetáculos



