Num comunicado obtido pela Lusa, os três cidadãos portugueses rejeitaram a possibilidade de que a ajuda humanitária fosse entregue no Chipre e, posteriormente, transportada para Gaza pelo Patriarcado Latino de Jerusalém, para que depois fosse entregue pelo governo israelita.
“Está bem documentado o bloqueio regular da ajuda humanitária por Israel à entrada de Gaza como o assassinato sistemático de civis em pontos de distribuição”, sublinharam os integrantes da flotilha.
Paulo Rangel destacou, na quinta-feira, esta alternativa para a entrega da ajuda humanitária, que surgiu a partir de um acordo entre as autoridades italianas, israelitas e a Igreja Católica.
“Gostaríamos de clarificar que o propósito desta missão humanitária é abrir um corredor humanitário para Gaza. A posição do Governo italiano, de desviar a Flotilha para outro destino, não representa a proteção mas o desvirtuamento da missão”, enfatiza o comunicado.
O ministro português, que se encontrava em Nova Iorque para a Assembleia Geral da ONU, ressaltou que “não há nenhum plano extra” em relação aos relatos de explosões intimidatórias contra a flotilha que transporta ajuda humanitária, reiterando que “os riscos são conhecidos, todas as pessoas estão cientes deles”.
Frente a essas declarações, os membros portugueses admitiram estar cientes dos riscos envolvidos, mas afirmaram que “o papel do Governo português é proteger a missão humanitária”.
“Reconhecemos que esta missão envolve perigos, que decorrem exclusivamente do cerco que Israel mantém ao povo palestiniano de Gaza em violação da Lei Internacional”, complementa a nota.
A Flotilha Global Sumud é composta por cerca de 50 embarcações com ativistas, políticos, jornalistas e médicos de mais de 40 nacionalidades, incluindo três portugueses: a deputada Mariana Mortágua, o ativista Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício.
“Reiteramos o nosso apelo para que o Governo português empregue todos os esforços para acabar com o genocídio do povo palestiniano, começando pela imposição de sanções a Israel e pela proteção diplomática desta missão humanitária”, afirma o comunicado.
A nota acrescenta que os três navios que transportam os portugueses partirão ainda hoje de Creta com destino a Gaza.
Na quarta-feira, após o último ataque de drone à flotilha, Mariana Mortágua fez um apelo a uma mobilização social em Portugal para pressionar o Governo a proteger esta missão.
“A vossa mobilização e capacidade de pressionar o governo português, que tem sido um dos que reagiu de forma mais tímida e até vergonhosa em relação à flotilha e à sua proteção, é essencial para garantir a segurança desta flotilha, um corredor humanitário, e para contribuir para acabar com o genocídio”, solicitou Mariana Mortágua, em um vídeo publicado em sua conta oficial no Instagram.
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