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Pediatra Elogia o Bom Senso dos Pais ao Vacinar Seus Filhos
November 7, 2025

Pediatra Elogia o Bom Senso dos Pais ao Vacinar Seus Filhos

N</span)a véspera do 60º aniversário do Programa Nacional de Vacinação (PNV), o ex-diretor de Pediatria do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde exerceu por cerca de 40 anos, destacou em entrevista à Lusa a relevância das vacinas e fez um alerta sobre os riscos da desinformação e dos movimentos antivacinas. De acordo com o especialista,... Read More

N</span)a véspera do 60º aniversário do Programa Nacional de Vacinação (PNV), o ex-diretor de Pediatria do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde exerceu por cerca de 40 anos, destacou em entrevista à Lusa a relevância das vacinas e fez um alerta sobre os riscos da desinformação e dos movimentos antivacinas.

De acordo com o especialista, as afirmações contra a vacinação, expressas por alguns líderes políticos, “são feitas por pessoas que nunca testemunharam crianças doentes”.

“É o mínimo que posso afirmar”, comentou, ressaltando que as epidemias de sarampo que ocorreram no sul dos Estados Unidos, por exemplo, “já deveriam ser suficientes para abrir os olhos”.

Segundo Gonçalo Cordeiro Ferreira, esse tipo de visão é resultado, por um lado, de “uma ignorância por estarem em uma posição confortável onde essas doenças não os afetam nem aos que lhes são próximos”, e, por outro lado, de uma questão filosófico-política que não se restringe apenas aos Estados Unidos.

“Há países que são bastante resistentes à vacinação, como os da Europa Oriental que estiveram sob a influência soviética”, observou, explicando que, nesses contextos, as vacinas são percebidas como “uma imposição do Estado”.

“Não compreendem o benefício da vacina”, vendo-a como “um ataque à sua liberdade”, mas isso é um erro: “Este é o papel positivo de uma organização estatal, que é a prevenção de doenças através de um instrumento absolutamente seguro que são as vacinas”, enfatizou.

O pediatra destacou que, “felizmente, em Portugal”, a hesitação em vacinar é bastante baixa, havendo sempre “uma grande aceitação” do PNV, especialmente quando foram realizadas campanhas de conscientização.

“Em Portugal, os pais demonstram um bom senso considerável”, reforçou, acrescentando que até mesmo a comunidade imigrante que chega ao país adere ao programa de vacinação, o que atribui também ao trabalho realizado pelos centros de saúde.

De acordo com o relatório anual 2024 do PNV, Portugal continua a ser um exemplo internacional em vacinação, com 98% a 99% das crianças imunizadas no primeiro ano de vida, e as coberturas vacinais até os seis anos, alcançando ou superando, em geral, a meta de 95%.

O especialista lembrou que, no passado, situações como uma simples gripe ou o fato de faltar um dia para a idade recomendada eram motivos para evitar a vacinação.

“Hoje em dia, isso já não acontece. Os profissionais estão, de fato, muito mais bem informados, tanto na enfermagem quanto nos centros de saúde, e aproveitam a presença das pessoas para realizar as vacinas”, destacou.

Por outro lado, Cordeiro Ferreira expressou pesar pelo fato de que os próprios profissionais possam “dar tiros nos pés”, como ocorreu durante a pandemia da covid-19, quando alguns médicos questionaram publicamente a segurança da vacina, o que considerou “prejudicial”, uma vez que retira credibilidade às demais vacinas indiretamente.

“Mas as famílias reconhecem a importância das vacinas”, garantiu.

O médico também ressaltou os progressos na forma como as vacinas são administradas, como a adoção de vacinas combinadas (hexavalentes), que permitem diminuir o número de injeções.

“Tudo está evoluindo para ser mais conveniente, tanto para quem aplica quanto para quem recebe a vacina”.

Leia Também: 60 anos do PNV: Graça Freitas defende vacinação e combate à desinformação

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