Um estudo que acompanhou pessoas desde a juventude durante décadas revelou uma mudança inicial e inesperada no risco de doenças cardíacas.
- Os homens atingiram um risco de 5% de doenças cardiovasculares aproximadamente sete anos antes que as mulheres, revelando uma diferença clara e inicial na saúde do coração.
- A doença arterial coronariana foi responsável pela maior parte dessa diferença, impulsionando o aumento antecipado do risco entre os homens.
- O risco de doenças cardíacas parecia similar entre homens e mulheres até cerca dos 35 anos, quando o risco dos homens começou a aumentar mais rapidamente.
- O início mais precoce entre os homens não pode ser explicado apenas por fumar, pressão alta ou diabetes, sugerindo influências biológicas ou sociais adicionais.
Risco de Doenças Cardíacas Surge Mais Cedo em Homens
Homens começam a desenvolver doença arterial coronariana anos antes das mulheres, e essa diferença pode ser observada já na meia-idade, de acordo com um amplo estudo de longo prazo realizado pela Northwestern Medicine. A doença arterial coronariana é uma das principais causas de infartos.
Com base em mais de 30 anos de acompanhamento, os resultados sugerem que a triagem e a prevenção de doenças cardíacas podem precisar começar mais cedo na vida adulta, especialmente para os homens.
“Esse momento pode parecer cedo, mas a doença cardíaca se desenvolve ao longo de décadas, com marcadores iniciais detectáveis na juventude,” afirmou a autora sênior do estudo, Alexa Freedman, professora assistente de medicina preventiva na Northwestern University Feinberg School of Medicine.
“Triagens em idades mais jovens podem ajudar a identificar fatores de risco mais cedo, permitindo estratégias preventivas que reduzam o risco a longo prazo.”
Por Que a Diferença Entre os Gêneros Não Diminuí
Pesquisas anteriores já demonstraram que os homens tendem a desenvolver doenças cardíacas mais cedo que as mulheres. Com o tempo, no entanto, fatores de risco comuns como fumar, pressão alta e diabetes tornaram-se mais semelhantes entre os gêneros. Por causa disso, pesquisadores esperavam que a diferença no tempo de aparecimento das doenças cardíacas diminuísse.
Contudo, essa lacuna permaneceu. Esse resultado foi inesperado, disse Freedman.
Para explicar melhor por que essas diferenças persistem, Freedman e seus colegas afirmam que é necessário olhar além das medições padrão, como colesterol e pressão arterial, e considerar uma gama mais ampla de influências biológicas e sociais.
O estudo foi publicado em 28 de janeiro no Journal of The American Heart Association.
Acompanhamento de Doenças Cardíacas Desde a Juventude
A equipe de pesquisa analisou dados do estudo Coronary Artery Risk Development in Young Adults (CARDIA). O projeto inscreveu mais de 5.100 adultos negros e brancos entre 18 e 30 anos em meados da década de 1980 e os acompanhou até 2020.
Uma vez que os participantes estavam saudáveis no início, os pesquisadores puderam identificar quando o risco de doenças cardiovasculares começou a se separar entre homens e mulheres. Os homens atingiram uma taxa de 5% de doenças cardiovasculares, definida de forma ampla para incluir infarto, derrame e insuficiência cardíaca, cerca de sete anos antes que as mulheres (50,5 anos versus 57,5 anos).
A maior parte dessa diferença se deveu à doença arterial coronariana. Os homens alcançaram uma incidência de 2% de doença arterial coronariana mais de 10 anos antes que as mulheres. As taxas de derrame foram similares entre os dois sexos, e as diferenças em insuficiência cardíaca apareceram mais tarde na vida. “Esta ainda era uma amostra relativamente jovem – todos estavam com menos de 65 anos na última avaliação – e derrames e insuficiências cardíacas tendem a se desenvolver mais tarde na vida,” explicou Freedman.
Fatores de Risco Tradicionais Não Explicam Tudo
Os pesquisadores examinaram se os fatores de risco comuns poderiam explicar por que os homens desenvolvem doenças cardíacas mais cedo. Esses fatores incluíram pressão arterial, colesterol, açúcar no sangue, fumar, dieta, atividade física e peso corporal.
Embora alguns fatores, especialmente a pressão alta, tenham contribuído para parte da diferença, a saúde cardiovascular geral não explicou completamente a ocorrência mais precoce nos homens. Isso aponta para a influência de fatores biológicos ou sociais adicionais.
A Idade de 35 Anos Surge como Um Ponto Chave
Uma das descobertas mais notáveis foi quando a diferença de risco começou. Homens e mulheres apresentaram risco cardiovascular semelhante durante seus primeiros 30 anos. Por volta dos 35 anos, o risco dos homens aumentou mais rapidamente e permaneceu mais alto até a meia-idade.
Muitas iniciativas de prevenção e triagem de doenças cardíacas concentram-se em adultos acima de 40 anos. Os novos resultados sugerem que essa abordagem pode deixar passar uma janela importante para ações precoces.
Os autores apontam as equações de risco PREVENT da American Heart Association, que podem prever doenças cardíacas a partir dos 30 anos, como uma ferramenta promissora para intervenções mais precoces.
Desigualdades na Atenção Preventiva para Homens Jovens
Fechar a lacuna entre homens e mulheres pode ser difícil porque a utilização de cuidados preventivos é desigual entre os adultos dos EUA com idades entre 18 e 44 anos. As mulheres são mais de quatro vezes mais propensas a ir a consultas de rotina do que os homens, em grande parte devido a visitas ginecológicas e obstétricas.
“Nossos achados sugerem que incentivar visitas de cuidado preventivo entre homens jovens poderia ser uma oportunidade importante para melhorar a saúde do coração e reduzir o risco de doenças cardiovasculares,” disse Freedman.
Ela também enfatizou que a doença cardiovascular continua sendo a principal causa de morte, tanto para homens quanto para mulheres, tornando a prevenção essencial para todos.
O estudo é intitulado “Diferenças de Sexo na Idade de Início da Doença Cardiovascular Prematura e Subtipos: O Estudo de Desenvolvimento do Risco de Arteriosclerose Coronária em Jovens Adultos.” Freedman é apoiada pelo National Heart, Lung, and Blood Institute (K01HL165038). O CARDIA é conduzido e apoiado pelo National Heart, Lung, and Blood Institute em colaboração com a Universidade do Alabama em Birmingham (75N92023D00002 & 75N92023D00005), Northwestern University (75N92023D00004), Universidade de Minnesota (75N92023D00006) e Kaiser Foundation Research Institute (75N92023D00003).







