"Nuno Melo desmente mentiras sobre aviões nas Lajes"

Nuno Melo desmente mentiras sobre aviões nas Lajes


“É surpreendente para mim que uma notícia que é falsa em sua essência tenha circulado por 24 horas, a respeito de um assunto que não me diz respeito, uma vez que não tem relação com a Defesa Nacional, criando percepções erradas nas pessoas, levando a questionamentos sobre o aumento dos extremismos”, respondeu Nuno Melo.

Nuno Melo falou à margem de um evento de campanha em Viseu, como líder do CDS-PP, enquanto acompanhava o candidato nas eleições autárquicas de 12 de outubro, mas também foi abordado na rua em sua função como governante.

O Governo esclareceu que a passagem das aeronaves americanas ocorreu sem aviso prévio ao chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel, uma “falha de procedimento”, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), que afirmou que deseja apurar responsabilidades.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, destacou hoje um ponto adicional, de que “o Governo não participou de nenhum ato” que pudesse ser interpretado como uma venda de armamento militar para Israel.

“Defender a verdade é cada vez mais uma luta pela liberdade e pela democracia, porque as chamadas ‘fake news’, as notícias falsas, distorcem o regime democrático, contaminam o debate público, causam um dano enorme e, na verdade, contribuem para a ascensão dos extremismos”, defendeu.

“Uma notícia que atribui a mim fatos que nunca cometi, sobre competências da Defesa Nacional, que a Defesa Nacional não possui, mas que mesmo assim conseguiu circular, gerando uma percepção falsa e levando a reações”, afirmou.

Nuno Melo disse que um pedido de autorização para os aviões aterrissarem nas Lajes é algo que “não existe” e “é completamente absurdo”.

O ministro da Defesa declarou hoje que não pode comentar sobre um assunto que não se relaciona com sua área e afirmou que o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros “já disseram tudo”.

Lusa | 21:44 – 03/10/2025

O governante criticou ainda “comentadores de televisão, de referência” que afirmaram que o ministro da Defesa “tinha dado autorização, sem informar outra área da tutela, para o envio de caças, e isso é tão ridículo, tão falso, tão mentiroso, tão absurdo, que impressiona como a mentira consegue ter tal facilidade de circulação, e que comentadores respeitados tenham, sobre isso, opiniões que deveriam envergonhá-los”.

“A mentira não pode prosperar, não pode criar percepções falsas. O debate público precisa de verdade para que possa estar baseado na realidade, ser saudável e permitindo que a mensagem chegue, tal como é, ao destinatário, para que a escolha dos eleitores seja consciente. Se a verdade é distorcida ou manipulada, o que chega ao destinatário é uma mentira, e isso é absolutamente insuportável em uma democracia”, defendeu.

Quando questionado se estaria disposto a ser ouvido no parlamento, o ministro da Defesa expressou-se como “parlamentar na essência”.

“Gosto muito de ir ao parlamento e estarei presente com prazer, mas não sei sobre o que, pois eu iria ao parlamento explicar questões que não se relacionam com a Defesa Nacional? Não é ridículo? Isso transforma o debate público em algo esotérico, parece que estamos vivendo em uma realidade paralela”, apontou.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) reconheceu na quinta-feira uma falha de procedimento interno ao não ser informado pelos serviços sobre a passagem de aviões F-35 americanos em rumo a Israel pela base das Lajes, nos Açores.

O movimento das aeronaves, em abril, teve um parecer favorável da AAN (Autoridade Aeronáutica Nacional), que é subordinada ao Ministério da Defesa Nacional, e teve “comunicação e autorização tácita”, segundo relatórios do MNE.

A falha, conforme o Governo, impediu que um alerta no nível político fosse emitido, o que permitiria a tomada de uma decisão de oposição.

PS, PCP e Livre já anunciaram que convocarão ao parlamento o chefe da diplomacia, Paulo Rangel, assim como o ministro da Defesa, Nuno Melo, cuja demissão foi solicitada pelo Bloco de Esquerda, sendo negada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.

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