Negociações do Cônsul para Libertar Portugueses Detidos

Negociações do Cônsul para Libertar Portugueses Detidos

A dirigente do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, revelou na passada sexta-feira que estão a ser realizadas negociações para que o cônsul de Portugal em Israel acompanhe os ativistas detidos numa prisão no deserto de Neguev até à sua libertação, após a denúncia da “situação degradante” que foi relatada pela embaixadora Helena Paiva.

“A situação degradante que a embaixadora testemunhou levou a que agora haja uma negociação, para que o cônsul possa permanecer com os cidadãos portugueses na prisão até à sua liberação, a fim de acompanhar a sua situação”, afirmou a política, em entrevista à SIC Notícias.

As declarações foram feitas após a irmã da bloquista, Mariana Mortágua, ter enviado uma comunicação à família, na qual relatava estar confinada em uma cela com outras 12 pessoas, “sem comida nem água durante 48 horas“.

“Não sabemos sequer se a Mariana tem ideia de quantas horas já está presa. Não sabemos se a deixaram dormir ou não. Israel não é reconhecido por respeitar os direitos humanos nas prisões, portanto não podemos assumir nada. […] O que sabemos é que Israel garantiu ao Governo português que trataria as pessoas com dignidade, mas não há nenhuma dignidade”, denunciou Joana Mortágua.

A política também expressou a sua incompreensão sobre a “diferença de tratamento” entre os ativistas portugueses e os quatro deputados italianos que chegaram hoje ao aeroporto de Fiumicino, em Roma.

Membros do Bloco de Esquerda compartilharam as últimas informações fornecidas pelo cônsul à família da líder do partido, que estava na flotilha e foi detida por Israel em águas internacionais.

Tomásia Sousa com Lusa | 18:10 – 03/10/2025

Joana Mortágua enfatizou que “os membros da flotilha foram expostos para que um dos ministros, um dos mais notorios do governo de Israel, pudesse filmar um vídeo de propaganda, enquanto os insulta, como se fossem animais de circo”.

“Esta foi a primeira evidência de que a garantia de Israel ao Governo português de que os membros da flotilha detidos de forma ilegal seriam tratados com dignidade e que os seus direitos individuais seriam respeitados […] não tem valor algum. Não vale nada”, afirmou.

A ex-parlamentar também elaborou uma cronologia dos eventos: “Houve uma detenção ilegal. Desde então, não temos comunicação com nenhum dos detidos. Nada. Eles foram expostos àquela situação degradante por parte de um ministro ainda no porto. Foram depois levados para o deserto, para uma prisão em condições que a diplomacia nos disse que são caóticas. É linguagem diplomática; traduzirei para degradantes, na melhor das hipóteses. Depois, foram encarcerados nessa prisão. A embaixadora teve a oportunidade de visitá-los [e] nos relatou que, apesar de estarem bem de saúde, as condições na prisão não são boas. Há falta de água potável, há falta de comida e não há condições para descanso. Foi após isso que a minha mãe recebeu uma mensagem do cônsul, enviada pela Mariana.”

A bloquista anunciou que, conforme o pedido da irmã, haverá uma manifestação no próximo sábado, às 15h00, no Martim Moniz, em Lisboa.

“Mãe, estou bem, mas não nos tratam bem, sem comida nem água durante 48 horas. Convoquem manifestação”, pediu a deputada em uma mensagem que foi retransmitida à família pelo cônsul.

Vale lembrar que, segundo fontes oficiais do Governo, os quatro portugueses da Flotilha Global Sumud detidos em Israel estão “bem de saúde, apesar das condições difíceis”. Contudo, “queixas diversas” motivaram um “protesto imediato” da embaixadora portuguesa em Israel.

Helena Paiva, que visitou os ativistas, “pôde confirmar que todos se encontravam bem de saúde, apesar das condições difíceis e duras ao serem levados para o porto de Ashdod e no centro de detenção”, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em uma nota enviada à Lusa.

“Não foram submetidos a violência física, apesar de várias queixas – queixas essas que levaram a um protesto imediato por parte da embaixadora de Portugal em Israel”, acrescentou o Palácio das Necessidades.

É importante destacar que a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e os ativistas Miguel Duarte e Diogo Chaves estão entre os mais de 450 participantes da missão humanitária detidos pelas forças israelitas, que interceptaram entre quarta e quinta-feira as cerca de 50 embarcações que constituíam a flotilha.

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