A petição já está disponível online para que a comunidade em geral possa apoiar a iniciativa, e até o final do próximo mês deverá ser encaminhada aos ministérios da Educação e do Ambiente, informou à Lusa Sara Morais Pinto, co-fundadora da Zero Waste Lab, uma organização dedicada à luta contra o desperdício que está à frente do projeto.
O “Manifesto Wasteless”, com foco numa geração “com futuro, de ação e sem desperdício”, começa por abordar a geração “que herda um planeta em desequilíbrio, mas que também possui o poder e a obrigação de alterar esse curso”.
“Não queremos continuar com um modelo de desperdício que consome nossos recursos, destrói ecossistemas e compromete nossa qualidade de vida e a das próximas gerações”, afirmam os jovens, que se comprometem com um mundo onde nada se perde, onde os resíduos são evitados desde o início, e “onde o valor dos recursos naturais, humanos, materiais e financeiros é respeitado e potencializado”.
O documento sugere quatro eixos de ação, começando com “Conhecer para Agir”, no qual os jovens desejam ser bem informados para tomar decisões conscientes, influenciar e efetuar ações, exigindo informação clara nos produtos e uma educação ambiental acessível e contínua. Eles consideram essencial conhecer alternativas de consumo, saber onde encontrá-las, seus preços e impactos.
Outro eixo, “Lixo Zero”, que não reflete escassez, mas sim inteligência, vê os jovens reivindicando cidades limpas, comunidades resilientes e sistemas de produção e consumo regenerativos.
“Exigimos facilidades e incentivos para sistemas de reutilização e retorno, reparaçao, consumo de segunda mão, transportes públicos e/ou suaves, além de incentivos ao consumo local e a granel”, afirmam.
No terceiro eixo, “Mudança”, eles pedem políticas públicas, incentivos e infraestruturas que facilitem a reutilização, reparo e reintegração, garantindo que tudo se transforma.
Por fim, no quarto eixo, os jovens se comprometem a reduzir a quantidade de resíduos gerados, a optar e apoiar produtos e serviços reutilizáveis, a rejeitar o consumo excessivo e impulsivo, e a influenciar suas comunidades.
De acordo com Sara Morais Pinto, foram os próprios jovens que construíram o manifesto, fruto de um extenso processo mediado pela Zero Waste Lab que reuniu jovens de diversas regiões, que compartilharam experiências e sugestões.
Não foi, segundo ela à Lusa, um caminho fácil, repleto de “tabus e resistências”. Os jovens estão cientes da importância da preservação ambiental, da não poluição, da proteção dos oceanos, mas sentem dificuldade em saber como provocar mudanças. “Não é uma resistência em não agir, mas sim a resistência de não saber como fazer”.
Contudo, ao dedicarem tempo a esses desafios, “acontece o oposto e eles sentem uma enorme disposição para agir”. Isso foi evidente com o manifesto e também com a petição, que representa “mais uma forma de engajamento”.
Agora, o objetivo confirmado é alcançar mais pessoas, engajar escolas, utilizar as redes sociais e expandir o movimento “gota a gota”.
O projeto é cofinanciado pela União Europeia e conta com o apoio da NOPLANETB, uma iniciativa que reúne vários países europeus. Em Portugal, é desenvolvida pela AMI – Assistência Médica Internacional, em parceria com duas organizações juvenis, a RYSE (fundada em 2022 para promover um planeta sustentável) e o Centro de Juventude de Lisboa.
A divulgação da iniciativa ocorre em um momento em que se celebra uma data para conscientizar sobre um dos principais tipos de desperdício: os alimentos. O Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos, instaurado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, será comemorado na segunda-feira.
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