“Em relação ao vento, a ilha que apresentou as rajadas mais fortes é o Faial. A rajada mais elevada foi registrada às 02:10 locais [uma hora a mais em Lisboa] e chegou a 123 quilômetros por hora”, informou à Lusa, durante um ponto de situação realizado às 03:00 locais, a meteorologista Rita Mota, da Delegação Regional dos Açores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
No que diz respeito à precipitação, ela mencionou que os maiores totais acumulados “têm sido observados na ilha Graciosa”.
“Até o momento, o valor máximo acumulado em uma hora é de 21 milímetros, registrado entre 01:00 e 02:00”, declarou.
Ainda sobre a precipitação, Rita Mota destacou que as ilhas do Faial e do Pico “já estão com um pouco menos”, no entanto, em relação ao vento, as comunidades “ainda devem permanecer atentas às orientações divulgadas pelo Serviço de Proteção Civil”.
“Em termos de precipitação, as ilhas mais ao norte do grupo Central [Pico, Faial, Graciosa, Terceira e São Jorge] precisam ter cuidado, especialmente Graciosa e Terceira. Depois, entre as 06:00 e as 09:00, o vento começará a diminuir nas ilhas de Faial, Pico e São Jorge e poderá aumentar um pouco mais na Graciosa e Terceira”, acrescentou.
Em relação ao grupo Ocidental (ilhas das Flores e Corvo), “devido ao ajuste da trajetória mais para Sul Sudeste, não acabou sendo tão afetado” pelo vento.
“Tem apresentado alguns períodos de precipitação pontualmente mais intensa, mas, até o momento, não passou disso e, nas próximas horas, deve começar a observar uma melhora”, completou.
O grupo Central terá, durante a madrugada e início da manhã, “algumas precauções”, indicando que também no início da manhã, as ilhas mais a Oeste já devem registrar “uma melhora”, começando por Faial e Pico, seguidas por Graciosa e Terceira.
Rita Mota também afirmou que, até às 09:00 locais, as preocupações devem persistir, “especialmente no grupo Central”.
“Não deve ser desconsiderado também que, durante o início da manhã, entre 06:00 e 09:00, pode haver um leve aumento da intensidade do vento no grupo Oriental [São Miguel e Santa Maria], especialmente na ilha de São Miguel”, acrescentou.
O ciclone tropical Gabrielle que afeta os Açores deixou de ser um furacão de categoria 1 e passou a ser uma depressão pós-tropical, segundo o IPMA.
“O que antes era denominado furacão Gabrielle, perdeu algumas de suas características que o definiam como furacão. Atualmente, a melhor designação que se aplica é um ciclone pós-tropical”, informou à Lusa nesta madrugada a meteorologista Tânia Viegas, da Delegação Regional dos Açores do IPMA, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
Entretanto, ela acrescentou que “isto não significa necessariamente — e é o que é válido neste caso — que tenha perdido intensidade ou que as rajadas de vento sejam menores”.
O ciclone tropical Gabrielle começou a afetar os Açores por volta das 22:00 locais na quinta-feira, e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê que o “período mais crítico” seja durante a madrugada.
As ilhas dos grupos Central (Pico, Faial, Graciosa, Terceira e São Jorge) e Ocidental (Flores e Corvo) continuam sob aviso vermelho — o mais severo em uma escala de três — devido às previsões de precipitação, vento e agitação marítima.
O Governo Regional declarou situação de alerta até às 18:00 de sexta-feira, nos grupos Central e Ocidental, proibindo determinadas atividades.
Nessas ilhas, serviços públicos não urgentes e essenciais, incluindo escolas, também foram encerrados.
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