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Os três primeiros treinos oficiais de Fórmula 1 no Bahrain foram concluídos, e, após diversos quilómetros percorridos, será que as equipes alcançaram os resultados esperados? Embora ainda haja muitas incógnitas nesta fase, algumas equipes certamente não conseguiram seguir com o plano estabelecido.
Os carros que as equipes levaram para o deserto do Bahrain apresentaram algumas mudanças em relação aos testes de Barcelona, realizados no final de janeiro. Além de testarem essas novas modificações, os pilotos estão sendo desafiados, já que, com as novas regras, seu papel se torna ainda mais importante. No entanto, nem todos os pilotos têm demonstrado entusiasmo com essa nova fase da Fórmula 1, não pela nova regulamentação, mas porque consideram que os carros se assemelham demasiado aos da Fórmula E.
A McLaren começou de forma promissora, com Lando Norris registrando o tempo mais rápido no primeiro dia de treinos. A atual campeã do mundo de construtores fez com que Oscar Piastri dirigisse de manhã e Norris à tarde. Piastri completou 54 voltas, ficando apenas atrás de Max Verstappen. O foco principal da equipe, conhecida como papaya, foi a gestão de energia, um dos aspectos mais importantes do novo regulamento. No final dos treinos, o campeão do mundo afirmou que tinha sido um dia positivo para a equipe e que estava empolgado com o que está por vir.
O segundo dia foi marcado por uma troca de farpas entre Norris e Verstappen. O piloto holandês ainda não aceita plenamente a nova regulamentação, e o líder do campeonato fez uma provocação ao piloto da Red Bull, dizendo: “se quiser retirar-se, que se retire”. O campeonato ainda não começou, mas a atmosfera no paddock já está em alta tensão. Na pista, o britânico teve um desempenho constante, terminando com o segundo melhor tempo, atrás de Charles Leclerc.
Ainda que tenham alcançado bons tempos e que o novo motor Mercedes tenha se destacado, Neil Houldey, diretor técnico da McLaren, acredita que a Red Bull é a nova equipe a ser superada.
A Mercedes deixou Barcelona com a aparência de ser a equipe mais bem preparada para esta nova fase, que apresenta algumas semelhanças com a era híbrida, um período em que a equipe alemã dominou. Contudo, o início no Bahrain não foi simples. George Russell teve dificuldades para entrar na pista devido a algumas mudanças na garagem e o carro não estava devidamente configurado. Mesmo assim, o britânico completou 56 voltas e conseguiu o sexto melhor tempo. Após a pausa para o almoço, Kimi Antonelli assumiu a condução, mas os problemas persistiram. Uma falha na suspensão resultou numa longa investigação, e o jovem italiano completou apenas 30 voltas, utilizando apenas dois conjuntos do pneu mais duro para estabelecer uma referência para stints mais longos.
Se o primeiro dia foi complicado, o segundo foi ainda mais desastroso. Uma falha no motor impediu Antonelli de entrar na pista pela manhã, como era esperado. À tarde, o carro finalmente saiu da garagem, agora sob a direção de Russell, mas ficou mais de um segundo atrás de Leclerc. A solução mais rápida foi trocar a unidade de potência, e mesmo assim, o britânico só retornou à pista uma hora após o início da sessão.
No treino final, a equipe de Toto Wolf finalmente teve motivos para sorrir. A Mercedes dominou do início ao fim, com Antonelli registrando o melhor tempo, seguido por Russell.
A Red Bull foi uma das equipes que mais quilómetros percorreu e focou na conexão entre piloto e carro, além da gestão de pneus. No primeiro dia, apenas Max Verstappen esteve na pista, onde fez testes aerodinâmicos. Ele foi o mais rápido pela manhã e, na sessão seguinte, demonstrou grande consistência, terminando com o segundo melhor tempo. O RB22 mostrou-se muito veloz nas retas, completando o dia com 136 voltas.
A equipe austríaca impressionou a concorrência com a fiabilidade do novo motor desenvolvido em conjunto com a Ford e pela eficiência na gestão de energia do carro. No entanto, Verstappen expressou descontentamento com a direção que a Fórmula 1 está tomando. Por outro lado, a Red Bull parece não se preocupar com a insatisfação do tetracampeão, reafirmando que seu foco é ter um carro competitivo, ainda que não necessariamente fácil de dirigir.
Isack Hadjar não teve a mesma sorte que seu companheiro de equipe. No segundo dia de treinos, onde ele seria o único piloto, um problema mecânico o impediu de entrar na pista pela manhã. O problema foi resolvido, e no recomeço da sessão, o piloto francês finalmente pôde dirigir e completou 87 voltas ao todo. Apesar dos obstáculos, a Red Bull continua a crescer e começa a se posicionar como alvo para os demais concorrentes.
A Ferrari também teve um bom desempenho em termos de quilómetros percorridos, o que é um ponto positivo, mas ainda existem questões a serem ajustadas. Lewis Hamilton juntou-se a Verstappen na crítica aos novos carros, comparando-os aos utilizados na Fórmula 2. Além disso, o britânico abordou a questão do novo engenheiro de corrida, afirmando que esse tipo de mudança em um ano com tantas inovações pode ser prejudicial.
O segundo dia de treinos foi, sem dúvida, o melhor para o Cavallino Rampante. Charles Leclerc teve a oportunidade de conduzir o SF-26 durante todo o dia e demonstrou satisfação com os resultados obtidos. O monegasco completou muitos quilómetros sem problemas, focando na gestão de energia do motor e em aspectos aerodinâmicos específicos, buscando maior downforce e eficiência, culminando em marcar o melhor tempo do dia. Apesar disso, Leclerc adotou uma postura cautelosa, afirmando que o mais relevante neste momento não é apenas ser o mais rápido, mas sim continuar a trabalhar para alcançar os objetivos propostos.
Hamilton voltou à pista no último dia, mas não teve um desfecho feliz. O heptacampeão estava a realizar uma sessão estável, tendo alcançado o terceiro melhor tempo durante a manhã, mas nos minutos finais, foi forçado a parar o carro na curva 8. Segundo a equipe italiana, o problema foi causado pela falta de combustível. Ferrari agindo como Ferrari.
A Williams, que esteve ausente nos testes de Barcelona por não ter passado nos crash tests da FIA e por estar acima do peso, apresentou um desempenho sólido nos primeiros treinos no circuito de Sakhir. Logo na primeira sessão, realizaram 145 voltas, um número bastante positivo para uma estreia do carro em ação. Assim como várias equipes, o foco foi na aerodinâmica e no funcionamento do FW48.
Além da Red Bull, a Racing Bulls também utiliza o motor RBPT-Ford, e um problema já apareceu para acender o sinal de alerta em Milton Keynes. Durante a tarde de quarta-feira, Arvid Lindblad não saiu da garagem, com o carro do único rookie sendo avaliado. Não há detalhes sobre o que realmente ocorreu com o novo motor, mas fica o alerta.
A Audi chegou ao Bahrain com um visual diferente em relação a Barcelona. A equipe alemã apresentou as entradas de ar verticais, tornando a lateral do R26 mais estreita, semelhante ao design da Mercedes de 2022. Os tempos não foram extraordinários, mas a equipe não enfrentou muitos problemas durante os três dias. Nico Hulkenberg mostrou-se otimista quanto ao desenvolvimento do carro e acredita que, em breve, eles poderão estar no nível do pelotão intermediário.
A Aston Martin, por outro lado, está enfrentando mais dificuldades até o momento. O chassis desenhado por Adrian Newey e o motor Honda ainda não estão bem alinhados, o que tem atrasado a evolução do AMR26. Lance Stroll teve várias sessões comprometidas devido a problemas mecânicos, apontando diversas falhas no carro e afirmando que está cerca de quatro segundos mais lento que a concorrência. Fernando Alonso completou mais voltas que o companheiro, mas também admite que ainda há muito trabalho pela frente.
A Haas teve um bom início de pré-temporada, realizando muitas voltas, com o objetivo principal de entender os novos regulamentos técnicos, segundo o chefe da equipe, Ayao Komatsu. Esteban Ocon mostrou-se satisfeito com a evolução do carro, afirmando que está mais rápido do que em Barcelona, o que é um sinal encorajador para a equipe americana. Em contrapartida, a nova rival, Cadillac, está enfrentando dificuldades.
A equipe, que faz sua estreia neste ano na Fórmula 1, teve uma sessão de treinamentos insatisfatória. Os carros passaram muito tempo parados nas garagens e, quando estavam na pista, sempre surgiam problemas. Em testes desse tipo, cada minuto perdido é fatal, pois é crucial coletar o máximo de dados possível, e se o carro não está em movimento, não há como saber o que está funcionando e o que não está.
Por fim, a Alpine não conseguiu cumprir seu planejamento devido a vários contratempos. Na quarta-feira, Colapinto completou apenas 28 voltas e reconheceu as dificuldades com o forte vento. Ele acrescentou que a equipe precisa melhorar muito, especialmente em relação à fiabilidade. Outro detalhe que chamou a atenção foi a nova asa traseira, que, ao contrário das demais, mantém o movimento de abertura e fechamento, fazendo com que a aleta se abaixe. O efeito esperado é um aumento da estabilidade na traseira do carro e uma redução do arrasto.





