O primeiro-ministro, Luís Montenegro, encontrou-se, na manhã deste sábado, com uma mulher em São João da Madeira, no distrito de Aveiro, a terra de Pedro Nuno Santos, ex-líder do PS e seu opositor nas recentes eleições legislativas antecipadas. A mulher, manifestamente agitada, questionou Montenegro sobre as medidas anunciadas na semana a respeito da habitação e também sobre a crise no setor da saúde.
“Não tenho dois mil e tal euros para arrendar uma casa”, declarou a mulher, com Montenegro a dispor-se a explicar as iniciativas.
Quando ela mencionou que paga 520 euros de renda, Montenegro respondendo afirmou: “E tem a nossa ajuda”.
“Que ajuda?”, interrompeu a residente, que ressaltou ainda que “ajuda os netos”.
Montenegro tentou esclarecer que ela poderá “deduzir mais da renda que paga no IRS”. A mulher, no entanto, discordou, alegando que “não foi assim que percebeu” e passou a perguntar sobre a Saúde.
Referindo-se à sua condição de doente crónica, a mulher destacou: “Não estamos a ter consultas nos hospitais”.
Defendendo que a duração das consultas “diminuiu” desde que assumiu o governo, Montenegro avisou: “Se a senhora vem com esse elemento eu vou-lhe dizer assim: não vale a pena insistir. Tenho muita compreensão pelos problemas, mas é quando as pessoas querem ser esclarecidas. O que está a dizer não é verdade”.
“A senhora disse-me ‘desde que o senhor entrou [a saúde] estava pior’ e eu perguntei se antes era diferente e a senhora disse ‘não sei porque nunca lá fui’. Estamos conversados”, concluiu Montenegro, dando por encerrada a discussão.
O líder do PSD dirigiu-se depois ao Mercado Municipal, onde cumprimentou e distribuíu beijinhos aos vendedores e clientes, ouvindo clamor por “olhar mais para os pobres”.
Na quinta-feira, o governo anunciou um novo conceito de rendas “moderadas”, que varia de 400 a 2.300 euros, além de uma redução do IVA para 6% na construção de habitações à venda até 648 mil euros.
No que toca às famílias com rendas moderadas, o governo estabeleceu que a dedução à coleta será de 15% até um máximo de 900 euros em 2026, com aumento para 1.000 euros em 2027.
Para os proprietários, a proposta inclui, por exemplo, a diminuição da taxa de IRS (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares) de 25% para 10% em contratos de arrendamento com rendas moderadas.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro reconheceu que rendas de 2.300 euros são “muito altas”, mas notou que essas quantias são comuns em áreas como Lisboa, Porto ou na Península de Setúbal.
“Sou adepto da tolerância democrática”
Já em Aveiro, em uma declaração exclusiva à SIC, Montenegro foi indagado sobre o ocorrido, afirmando estar sempre “disponível para esclarecer” aqueles que buscam esclarecimentos reais.
“Felizmente, recebi centenas de pessoas que me abordaram para apoiar diversas iniciativas que estamos a realizar. Essa senhora, em particular, levantou duas questões, uma sobre saúde e outra sobre habitação, e a minha missão é esclarecer, e foi isso que tentei fazer”, explicou.
Entretanto, ele deixou um aviso: “Nós só conseguimos esclarecer quem deseja ser esclarecido, aqueles que já têm uma opinião formada, às vezes fingem fazer uma pergunta, quando na verdade buscam um momento de notoriedade para expor sua divergência”.
“Mas eu tenho um espírito de tolerância democrática”, acrescentou.
Durante esta ação, o presidente do PSD foi acompanhado por João Oliveira, que é a aposta dos social-democratas para recuperar a câmara municipal, perdida para o PS em 2017.
A campanha para as eleições autárquicas de 12 de outubro começará oficialmente na próxima terça-feira.
[Notícia atualizada às 13h40]
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