A renúncia do diretor executivo da Bolsa de Valores da Indonésia representou a primeira consequência tangível das exigências de reforma da MSCI Inc., levando os responsáveis a apressar a implementação de medidas para evitar um rebaixamento e restaurar a confiança.
Poucas horas após Iman Rachman deixar o cargo na sexta-feira, as autoridades informaram que estavam se preparando para adotar novas medidas para apoiar o mercado, incluindo alterações na estrutura acionária da bolsa e maior limite nas alocações de capital de seguradoras no mercado.
Essas decisões encerraram uma semana volátil para os ativos indonésios, após o compilador de índices sinalizar preocupações sobre a transparência no maior mercado do Sudeste Asiático, fazendo com que as ações de referência passassem por sua pior queda em dois dias em quase três décadas, antes que os reguladores interviessem. O Índice Composto de Jacarta fechou em alta de 1,2%.
“Isso deve ser visto menos como uma culpa e mais como um reinício”, disse Mohit Mirpuri, sócio sênior da SGMC Capital Pte. “Períodos de estresse muitas vezes aceleram mudanças, e isso abre espaço para uma nova liderança com um claro mandato para elevar padrões, melhorar a estrutura do mercado e reforçar a confiança dos investidores.”
O sentimento do mercado já começava a se recuperar após os reguladores, na quinta-feira, esboçaremas medidas de reforma, incluindo a duplicação do mínimo de free float—o número de ações disponíveis para negociação pública—para 15% a partir do próximo mês, e a possibilidade de envolvimento do fundo soberano Danantara no mercado. Os esforços refletem um impulso das autoridades para atender às exigências da MSCI por maior transparência—não atender a isso até maio pode resultar na redução do peso da Indonésia no índice e até mesmo um rebaixamento para status de fronteira.
HSBC Holdings Plc se tornou o mais recente banco a rebaixar as ações indonésias devido a preocupações sobre o crescimento. Goldman Sachs Group Inc. e UBS Group AG também rebaixaram o mercado, sendo que o primeiro citou o risco de mais de $13 bilhões em saídas sob um cenário extremo.
O episódio desta semana ressuscitou dúvidas sobre os mercados financeiros indonésios, que há muito são considerados beneficiários do rápido crescimento econômico do país. O crescente descontentamento dos investidores em relação às finanças públicas, a súbita saída do ministro das finanças e um déficit fiscal em expansão já levaram muitos investidores a recuar. Fundos globais já haviam despejado títulos indonésios de setembro a novembro, antes de retornar no último mês de 2025.
No centro das preocupações está o baixo free float das ações indonésias, dado que as maiores empresas do país são pouco negociadas e controladas por um pequeno grupo de indivíduos ricos—uma estrutura que os investidores alegam distorcer o índice e arriscar manipulação. Essa questão tem sido um ponto de discórdia por anos, com os investidores argumentando que a baixa liquidez em certas ações torna grandes partes do mercado inviáveis e inverificáveis.
Funcionários da bolsa já tentaram incentivar os participantes do mercado. Rachman, que foi nomeado CEO há menos de quatro anos, havia defendido a extensão do horário de negociação e a introdução de vendas a descoberto como forma de aumentar a liquidez, embora o sucesso tenha sido limitado.
Atualmente, a MSCI não possui um requisito mínimo de free float para a classificação do mercado de um país, que depende de fatores como acessibilidade e desenvolvimento econômico. No entanto, o compilador de índices exige um free float de 15% ao longo de um período para que um ativo seja incluído em seu universo de mercados emergentes investíveis, com algumas exceções.
Em uma declaração no início da semana, a MSCI expressou preocupações sobre “opacidade nas estruturas acionárias e sobre possíveis comportamentos de negociação coordenados” na Indonésia. A empresa afirmou que precisa de informações mais granulares e confiáveis, incluindo monitoramento mais forte, para apoiar uma melhor avaliação do free float e da investibilidade em diversos títulos.
Muitos investidores permanecem apreensivos quanto à capacidade dos reguladores de atender às exigências do compilador de índices. “As reformas esboçadas são direcionais positivas, mas a execução e a nomeação de um sucessor credível serão fundamentais para determinar se essas preocupações se dissiparão completamente”, disse Gary Tan, gerente de portfólio da Allspring Global Investments.
Até agora, nesta semana, os fundos globais liquidaram um total líquido de $739 milhões em ações até quinta-feira, a caminho do maior fluxo de saída semanal desde meados de abril.






