“Os adolescentes têm grandes anseios de deixar Cabo Verde após concluir o ensino secundário, muitos deles com o intuito de estudar em Portugal, mas carecem de informação adequada. Eles não têm clareza sobre o que irão encontrar, quais cursos escolher, quais são os custos do cotidiano e que apoios estão disponíveis”, declarou Cátia Batista, docente da Universidade Nova de Lisboa e diretora do Centro Nova África, localizado na cidade da Praia.
A palestrante fez esses comentários durante a apresentação de um projeto de pesquisa realizado entre 2022 e 2024 em escolas secundárias de Cabo Verde, que investigou as expectativas e as intenções dos alunos do 12º ano em relação à continuidade dos estudos, além de acompanhar suas trajetórias em Portugal e no país.
Cátia Batista mencionou que já existe um programa de orientação destinado a apoiar os estudantes, que abrange informações sobre cursos, instituições de ensino, auxílio financeiro, despesas relacionadas e questões práticas do dia a dia.
“Estamos colaborando com a embaixada para que o processo de obtenção de vistos permita que os jovens cheguem a tempo e em melhores condições para ter sucesso”, acrescentou.
No total, 9.152 alunos foram entrevistados em 45 escolas secundárias, com coletas de dados sobre trajetórias escolares, escolhas acadêmicas e intenções migratórias.
A pesquisa revela que 95% dos estudantes desejam se inscrever no ensino superior.
Desses, 83% indicam Portugal como destino preferido, enquanto apenas 18% planejam se candidatar a instituições em Cabo Verde.
A área de Direito é a mais procurada, seguida por engenharia e saúde.
No entanto, dados do Ministério da Educação português mostram que, entre os estudantes cabo-verdianos que ingressaram no ensino superior em 2013/14, apenas 36% concluíram a graduação em um período de sete anos.
“Os alunos acreditam que metade consegue se formar, mas a realidade é que não chega a quatro de cada dez”, afirmou o estudo.
Além disso, as expectativas positivas em relação a bolsas e ajudas financeiras contrastam com as dificuldades encontradas em Portugal em relação a moradia e gastos diários.
Romualdo Correia, diretor-geral do Ensino Superior de Cabo Verde, reconheceu que os principais desafios incluem o financiamento e a escassez de bolsas de estudo para cobrir os custos, especialmente de habitação.
“O compromisso do Governo é garantir que ninguém fique sem estudar por falta de recursos financeiros. Todas as pessoas que desejam estudar terão essa oportunidade, priorizando as camadas mais vulneráveis e também reconhecendo o mérito dos bons alunos”, declarou.
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