“O furacão Gabrielle atingirá o arquipélago como um fenômeno de categoria 1, e será especialmente devastador na região central, com um alerta adicional sobre as condições marítimas e os ventos. As previsões indicam ventos médios de cerca de 130 km/h, com rajadas que podem alcançar os 200 km/h em nível do mar. “É uma informação relevante que deve ser levada a sério”, declarou o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), Rui Andrade, em um briefing em Angra do Heroísmo.
Após uma reunião com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) na tarde de hoje, Rui Andrade confirmou que não houve “mudanças significativas” nas previsões do tempo, mantendo-se os alertas vermelhos para as ilhas dos grupos Central (Terceira, São Jorge, Graciosa, Pico e Faial) e Ocidental (Flores e Corvo), em razão da precipitação, ventos e agitação marítima.
Sobre a intensidade dos ventos, o presidente da Proteção Civil dos Açores afirmou que “no grupo Central, serão mais intensos nas ilhas do Faial, São Jorge e Graciosa”.
O dirigente da Proteção Civil açoriana também optou por não divulgar os períodos mais críticos do impacto do furacão no arquipélago.
“O período mais crítico ocorrerá no final da noite de hoje, na madrugada e durante parte do dia de amanhã. É crucial que a população esteja ciente disso. [Ao] especificar períodos muito curtos, corrermos o risco de deixar passar informações importantes, uma vez que isso limitaria nossa avaliação”, explicou.
Em 2019, o furacão Lorenzo causou grandes danos nos Açores, mas Rui Andrade lembrou que ele passou pela região como um furacão de categoria 3, ao passo que o Gabrielle está previsto para ser de categoria 1.
“Não acreditamos que estamos diante de um fenômeno mais forte do que o Lorenzo”, indicou.
O responsável reiterou que ainda não existem justificativas para fechar serviços ou declarar situação de alerta no grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria).
“Após a avaliação de risco para esta situação, não há critérios que justifiquem a adoção de medidas excepcionais”, esclareceu.
O presidente do SRPCBA transmitiu uma mensagem de confiança à população, afirmando que “todos os municípios ativaram seus planos municipais de Proteção Civil” e que “as entidades estão prontas para lidar com os efeitos do furacão Gabrielle”.
“Estamos prontos, foi um trabalho árduo desde segunda-feira, com todos os envolvidos. [Quero transmitir] uma mensagem de calma e tranquilidade à população, e essa mensagem de segurança é fundamentada na articulação contínua com todas as entidades”, enfatizou.
O ciclone tropical Gabrielle deve atravessar os Açores como um furacão de categoria 1 na escala de Saffir-Simpson (que varia de 1 a 5, sendo 5 a categoria mais alta).
No grupo Central, prevê-se “precipitação intensa, ventos com rajadas de até 200 km/h de sul, mudando para noroeste, e agitação marítima com ondas entre 8 e 10 metros de altura, podendo haver ondas máximas de 14 a 18 metros”.
No grupo Ocidental, também se esperam “precipitações fortes e rajadas de até 130 km/h, com ondas semelhantes às do grupo Central”.
Estes dois grupos estão sob vários alertas vermelhos do IPMA, o nível mais alto em uma escala de três, até a manhã de sexta-feira.
Nas ilhas de São Miguel e Santa Maria, espera-se “precipitação por vezes intensa”, rajadas entre 100 e 120 km/h, e ondas de até 9 metros de altura significativa.
O Governo Regional declarou situação de alerta até às 18:00 de sexta-feira, nos grupos Central e Ocidental, vedando certas atividades.
Nessas ilhas, serviços públicos não essenciais e não urgentes, incluindo escolas, também foram suspensos.
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