Um estudo publicado em 23 de dezembro de 2025, na revista Neurology, do American Academy of Neurology, analisou como a idade pode influenciar a recuperação após uma lesão na medula espinhal.
“Com o crescimento populacional e as melhorias na medicina, o número de pessoas diagnosticadas com lesões na medula espinhal está aumentando, assim como a idade média no momento da lesão,” afirmou a autora do estudo, Chiara Pavese, MD, PhD, da Universidade de Pavia, em Pavia, Itália. “Apesar dos avanços significativos em medicina e cirurgia nas últimas décadas, a taxa de recuperação após lesões na medula espinhal permaneceu a mesma. Nossos resultados podem ajudar os pesquisadores a desenhar estudos adaptados pela idade das pessoas para avaliar novas terapias e abordagens para aqueles com lesões na medula espinhal.”
Recuperação da Função Nervosa Independente da Idade
Os pesquisadores descobriram que a idade não parecia afetar a recuperação neurológica. Participantes mais velhos recuperaram força motora e habilidades sensoriais, como a sensação de toque leve ou a picada de um alfinete, em níveis semelhantes aos de indivíduos mais jovens.
Esses achados sugerem que a capacidade do corpo de recuperar a função nervosa após uma lesão na medula espinhal permanece em grande parte consistente entre diferentes faixas etárias.
Dificuldades nas Atividades Diárias Aumentam com a Idade
Embora a recuperação nervosa não estivesse ligada à idade, a recuperação funcional apresentou um padrão diferente. Adultos mais velhos enfrentaram maiores dificuldades em retomar a independência nas atividades cotidianas, incluindo alimentação, banho, controle da bexiga e do intestino e locomoção.
Além disso, mostraram menor progresso em avaliações de caminhada. Esses testes mediram quão rapidamente uma pessoa poderia percorrer uma curta distância, independentemente ou com auxílio, como uma bengala.
Acompanhamento da Recuperação em mais de 2.000 Pacientes
O estudo incluiu 2.171 pessoas com lesões na medula espinhal, com uma idade média de 47 anos. Todos os participantes foram admitidos em unidades de cuidados espinhais envolvidas no Estudo Multicêntrico Europeu sobre Lesões na Medula Espinhal.
Os pesquisadores acompanharam os participantes por um ano após suas lesões e avaliaram repetidamente suas habilidades físicas e funcionais. Em seguida, analisaram como a idade estava relacionada ao grau de recuperação ao longo desse período.
Resultados Funcionais Mostram Diferenças Claras Relacionadas à Idade
Não foi encontrada nenhuma conexão entre idade e resultados neurológicos, incluindo força nos braços e pernas ou respostas sensoriais.
Em contraste, a recuperação funcional variou consideravelmente com a idade. A independência nas atividades diárias foi medida em uma escala de zero a 100, com pontuações mais altas refletindo melhor funcionalidade. No momento da admissão na unidade de cuidados espinhais, os participantes tinham uma pontuação média de 31. Após um ano, a pontuação média aumentou para 35.
Os pesquisadores descobriram que cada década adicional de idade estava associada a uma diminuição de 4,3 pontos na melhoria nesta escala. Participantes mais velhos também apresentaram menos progresso em todos os testes relacionados à caminhada em comparação aos mais jovens.
Esses achados se mantiveram consistentes após levar em consideração o tipo de lesão na medula espinhal e sua gravidade.
Aumento das Dificuldades de Recuperação Após os 70 Anos
O estudo identificou uma queda particularmente significativa na recuperação funcional entre pessoas com mais de 70 anos.
“Pessoas acima de 70 anos precisam de abordagens específicas para reabilitação que levem em conta outras condições que possam estar enfrentando, como doenças cardiovasculares, diabetes ou osteoporose, e que as ajudem na recuperação que se aplique à sua vida cotidiana,” disse Pavese.
Limitações do Estudo e Financiamento
Uma limitação observada pelos pesquisadores foi que muitos indivíduos incluídos no banco de dados original não faziam mais parte do estudo após um ano. Havia informações limitadas sobre por que esses participantes desistiram ou se faleceram durante esse período.
Uma vez que aqueles que deixaram o estudo podem ter se diferenciado daqueles que permaneceram, isso poderia ter influenciado os resultados.
O estudo foi apoiado pela Fundação Nacional de Ciência da Suíça, Fundação de Pesquisa Wings for Life, programa Horizonte 2020 de pesquisa e inovação da União Europeia, Secretaria de Estado da Suíça para Educação, Pesquisa e Inovação e Ministério da Saúde da Itália.



