O primeiro-ministro, Luís Montenegro, comentou na última sexta-feira sobre a passagem de aviões dos Estados Unidos pela Base das Lajes, localizada nos Açores.
“Lamento que tenha ocorrido um erro de procedimento no início da questão levantada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que já foi identificado. Não há mais nada a acrescentar sobre isso”, começou por declarar aos repórteres na Nazaré, no distrito de Leiria.
“Todos os outros trâmites ocorreram de maneira perfeitamente normal. Não entendo essas reações tão extremas, exigindo a demissão de ministros. Seria um absurdo que o Governo tratasse decisões que são comuns com um espírito dessa natureza”, enfatizou em resposta a críticas e apelos de outros partidos pela sua demissão. Montenegro ainda acrescentou: “Estamos em período eleitoral, talvez isso também tenha alguma relação.”
Contudo, a conversa continuou, com jornalistas questionando sobre possíveis falhas de comunicação dentro do Governo. “Não exatamente falhas de comunicação, pois a informação que precisava ser passada entre os ministérios fluiu normalmente. O que aconteceu foi um procedimento no MNE que não chegou ao conhecimento do senhor ministro no momento em que deveria ter ocorrido. Isso está reconhecido”, esclareceu.
O chefe de Governo assegurou que o ministro da diplomacia portuguesa estava a “refletir” sobre uma alteração nos procedimentos internos para evitar a repetição de tais situações, mas qual tipo de situações? “A única ocorrência que não deveria ter acontecido foi que houve uma informação inicial que não era completamente precisa, divulgada a um jornal que, coincidentemente, não é português [El País].”
Demandas de demissão (e convocatórias)
Na véspera, o líder do Livre, Rui Tavares,propôs a demissão de Melo, afirmando que “não compreende” como o governante “pode continuar no cargo”.
Hoje, o Blocoacusou Melo de permitir a passagem de aeronaves e equipamentos de guerra “para serem utilizados no genocídio do povo palestiniano”, especificamente, “à revelia do Ministro dos Negócios Estrangeiros”.
O Partido Socialista e o Partido Comunista Português informaram na sexta-feira que irão solicitar audições dos ministros Nuno Melo e Paulo Rangel, com o objetivo de esclarecer a quantidade de aviões F-35 vendidos pelos EUA a Israel, que aterraram na base açoriana com destino a Tel Aviv.
[Notícia atualizada às 14h10]
Leia Também: Aviões vendidos pelos EUA a Israel pararam nas Lajes. Falha na Defesa?



