Cientistas descobrem hormônio que pode eliminar a dor crônica nas costas na origem

Cientistas descobrem hormônio que pode eliminar a dor crônica nas costas na origem


A dor lombar (DL) é uma das questões de saúde mais comuns em todo o mundo, afetando indivíduos de todas as idades e gerando uma pressão significativa sobre os sistemas de saúde. Para muitos, a dor se torna crônica, interferindo no trabalho, sono e na vida cotidiana. Entretanto, na maioria das vezes, os médicos não conseguem identificar uma causa estrutural clara, o que dificulta o tratamento eficaz a longo prazo.

Um novo estudo publicado no Volume 14 da revista Bone Research indica que um tratamento baseado em hormônios pode ajudar a aliviar a dor crônica nas costas, reduzindo o crescimento anormal de nervos no tecido espinhal danificado. A pesquisa foi liderada pela Dra. Janet L. Crane do Centro de Pesquisa Musculoesquelética, Departamento de Cirurgia Ortopédica da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos. Os achados oferecem uma nova perspectiva sobre como as células ósseas podem influenciar a sinalização da dor em colunas vertebrais degenerativas.

“Durante a degeneração espinhal, nervos sensíveis à dor crescem em áreas onde normalmente não deveriam existir. Nossos achados mostram que o hormônio paratireoideano pode reverter esse processo ativando sinais naturais que afastam esses nervos,” afirma a Dra. Crane.

Compreendendo o Hormônio Paratireoideano e Seus Efeitos

O hormônio paratireoideano (PTH) é produzido naturalmente pelas glândulas paratireoides e desempenha um papel fundamental na regulação dos níveis de cálcio e na remodelação óssea. Versões sintéticas de PTH já são utilizadas para tratar a osteoporose. Pesquisas anteriores sugeriram que esses tratamentos poderiam também reduzir a dor relacionada ao osso, mas o mecanismo biológico subjacente não era bem compreendido.

Para investigar mais a fundo, a equipe de pesquisa utilizou três modelos de camundongos que reproduzem causas comuns de degeneração espinhal: envelhecimento natural, instabilidade mecânica induzida cirurgicamente e suscetibilidade genética. Esses modelos permitiram aos cientistas estudar como a degeneração afeta tanto a estrutura óssea quanto o crescimento nervoso. Os camundongos receberam injeções diárias de PTH por períodos que variaram de duas semanas a dois meses, enquanto os animais de controle receberam soluções inativas. Os pesquisadores então examinaram o tecido espinhal usando imagens de alta resolução e mediram as respostas à pressão, calor e movimento.

Aprimoramento da Estrutura Espinhal e Redução da Sensibilidade à Dor

Após um a dois meses de tratamento, os camundongos tratados com PTH apresentaram melhorias claras em suas placas terminais vertebrais, as finas camadas que separam os discos espinhais das vértebras. Essas estruturas tornaram-se mais densas e estáveis. Simultaneamente, os camundongos tratados mostraram redução na sensibilidade à dor, toleraram melhor a pressão, reagiram mais lentamente ao calor e exibiram maior atividade em comparação aos animais não tratados.

Como o PTH Reduz o Crescimento de Nervos Causadores de Dor

Os pesquisadores também examinaram as fibras nervosas dentro da coluna. No tecido danificado, nervos sensíveis à dor frequentemente se estendem para áreas onde normalmente não deveriam estar, aumentando o desconforto. O estudo descobriu que o tratamento com PTH reduziu significativamente essas fibras nervosas anômalas, com base em marcadores como PGP9.5 e CGRP.

Análises adicionais revelaram o mecanismo subjacente. O PTH estimulou os osteoblastos, as células responsáveis pela formação do osso, a produzir uma proteína chamada Slit3. Esta proteína atua como um sinal orientador que repele as fibras nervosas em crescimento, impedindo-as de entrar em regiões sensíveis da coluna.

A Proteína Slit3 e a Via Molecular

Experimentos de laboratório confirmaram que a Slit3 limita diretamente o crescimento nervoso. Quando as células nervosas foram expostas à Slit3, suas extensões tornaram-se mais curtas e menos invasivas. Em contraste, quando os pesquisadores removeram a Slit3 dos osteoblastos em camundongos, o PTH não reduziu mais o crescimento nervoso nem melhorou as respostas à dor. A equipe também identificou uma proteína reguladora chamada FoxA2 que ajuda a desencadear a produção de Slit3 em resposta ao PTH, oferecendo uma visão mais profunda de como os sinais hormonais influenciam o comportamento nervoso.

Implicações para Futuros Tratamentos da Dor nas Costas

Embora esses achados provem de estudos com animais, eles podem ajudar a explicar por que alguns pacientes que recebem tratamentos baseados em PTH para osteoporose relatam redução da dor nas costas. Os pesquisadores afirmam que mais estudos em humanos são necessários antes que essa abordagem possa ser utilizada clinicamente.

“Nosso estudo sugere que o tratamento com PTH para a DL durante a degeneração espinhal pode reduzir a inervação aberrante, lançando as bases para futuros ensaios clínicos que explorem a eficácia do PTH como um tratamento modificador de doenças e alívio da dor para a degeneração espinhal,” conclui a Dra. Crane.

Sobre a Pesquisadora

A Dra. Janet L. Crane é Professora Associada de Pediatria na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos, onde atua como Direção do Programa de Saúde Óssea Pediátrica. Ela também mantém um cargo conjunto no Centro de Pesquisa Musculoesquelética do Departamento de Cirurgia Ortopédica. Ela obteve seu diploma de bacharel em ciências nutricionais pela Universidade do Missouri e completou seu diploma médico na Universidade de Maryland-Baltimore. Sua pesquisa foca em doenças ósseas metabólicas e fragilidade esquelética, e ela publicou extensivamente sobre remodelação óssea, distúrbios ósseos metabólicos e mecanismos de dor esquelética.

Esta pesquisa foi apoiada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA NIH Instituto Nacional de Envelhecimento sob o Número de Prêmio P01AG066603 (para Xu Cao), Sub-Projeto 6878 (para Janet Crane).

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