Mariana Mortágua está em uma cela com mais 12 pessoas e, embora esteja fisicamente bem, está “sem comida nem água”, conforme foi revelado em uma mensagem enviada à família pelo cônsul de Portugal em Israel.
As informações, divulgadas nas redes sociais por outros integrantes do Bloco de Esquerda, como Fabian Figueiredo e Joana Mortágua, indicam que a líder do partido “está bem psicológica e fisicamente, como sempre”, mas “com queixas”.
A embaixadora Helena Paiva, que visitou os compatriotas nesta sexta-feira, já havia confirmado que todos estavam em boas condições de saúde, apesar das dificuldades enfrentadas durante a chegada ao porto de Ashdod e no centro de detenção.
Mariana manda mensagem à família pelo cônsul. pic.twitter.com/YGHQJf76Ln
— Joana Mortágua (@JoanaMortagua) 3 de outubro de 2025
“Mãe, estou bem, mas não nos tratam bem, sem comida nem água durante 48 horas. Convoquem manifestação”, teria solicitado a deputada, em uma mensagem manuscrita que foi entregue à mãe da deputada pelo cônsul, que indicou ainda que Mariana está em uma cela com outras 12 pessoas.
Mensagem compartilhada pela mãe de Mariana Mortágua© Instagram/Joana Mortágua
Uma fonte oficial revelou que os quatro portugueses da Flotilha Global Sumud detidos em Israel estão “bem de saúde, apesar das condições difíceis”, mas “queixas diversas” resultaram em um “protesto imediato” da embaixadora portuguesa em Israel.
A embaixadora Helena Paiva, em sua visita, “confirmou que todos estavam bem de saúde, apesar das duras condições encontradas no porto de Ashdod e no centro de detenção”, conforme indicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), em uma nota enviada à Lusa.
“Não sofreram violência física, apesar das queixas várias – queixas que motivaram um protesto imediato por parte da embaixadora de Portugal em Israel”, informou o Palácio das Necessidades.
A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e os ativistas Miguel Duarte e Diogo Chaves estão entre os mais de 450 participantes da missão humanitária interceptados pelas forças israelenses, que abordaram cerca de 50 embarcações da flotilha entre quarta e quinta-feira.
Portugueses optaram por deportação voluntária
Os quatro portugueses, conforme a mesma nota, concordaram em ser “deportados de forma voluntária e imediata” e foram informados que as autoridades israelenses os colocariam “nos primeiros voos disponíveis para a Europa, às custas do governo israelense, podendo haver atrasos devido aos feriados israelenses do SUKKOT”.
Nesse processo, “serão acompanhados por um funcionário do MNE”, acrescentou o ministério dirigido por Paulo Rangel.
Durante a visita da embaixadora e do cônsul, os quatro cidadãos nacionais “foram informados sobre seus direitos e da total disponibilidade da embaixada para auxiliá-los no que for necessário”, comentou ainda o MNE.
A nota do governo português não especifica onde se encontram os detidos, mas, em declarações ao canal português CNN, o embaixador israelense em Lisboa, Oren Rozenblat, mencionou que os detidos estão em uma prisão no deserto de Neguev, ao sul de Israel.
“A situação é boa e eles estão seguros e saudáveis”, afirmou.
O diplomata israelense também revelou que os portugueses expressaram o desejo de serem deportados, assinando um documento a esse respeito, portanto “não serão apresentados a um juiz”.
“Sairão em breve”, reiterou, sem mencionar uma data específica.
As forças israelenses interceptaram na noite de quarta para quinta-feira a Flotilha Global Sumud, com cerca de 50 embarcações, que se dirigia à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária.
A flotilha, composta por políticos e ativistas de diversos países, partiu da Espanha no início de setembro com o objetivo de romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza, apresentando-se como uma “missão de ajuda humanitária pacífica e não violenta”.
[Notícia atualizada às 18h24]
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