“Neste caso específico, foi instaurado um processo disciplinar proposto pela IGAS [Inspeção-Geral das Atividades em Saúde], mas é igualmente crucial relembrar – como já mencionei anteriormente – que a abertura destes procedimentos não implica, de forma alguma, presunção de culpa”, declarou Sérgio Janeiro aos jornalistas.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) revelou na quinta-feira que finalizou a investigação sobre a morte deste idoso, identificando “indício disciplinar na atuação de um médico regulador do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Porto”.
Segundo a IGAS, este profissional não agiu “de maneira diligente e cuidadosa ao acionar os meios diferenciados de emergência médica, em particular a Viatura Médica de Emergência e Reanimação” para o transporte entre as urgências de Mogadouro e o Hospital de Bragança.
“O atraso no atendimento telefônico por parte do CODU pode ter influenciado significativamente o desfecho final da vítima, que teve um episódio de engasgamento”, destacou a IGAS em seu comunicado sobre as conclusões da investigação à morte do homem de 84 anos, ocorrida em 2 de novembro de 2024, durante uma greve do INEM.
Hoje, o presidente do INEM falava em uma Oficina de Reflexão sobre Serviços de Emergência Médica Pré-Hospitalar da Comissão Técnica Independente (CTI) do INEM, realizada no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-UL).
“É importante considerar que foi um dia bastante atípico e que devemos reconhecer o trabalho daqueles que estiveram ativos em um dia tão desafiador. Agora, os resultados deste processo disciplinar, que será conduzido de maneira rigorosa e imparcial, determinarão — se existirem ou não — responsabilidades pessoais”, enfatizou.
A IGAS já completou os 12 inquéritos relacionados às mortes ocorridas durante a greve dos técnicos do INEM a respeito das horas extraordinárias, que começou em 30 de outubro e foi suspensa em 7 de novembro.
Dos 12 inquéritos, a IGAS concluiu que três mortes durante a greve estavam relacionadas ao atraso no atendimento de emergência.
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