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Governo defende extinção da FCT e classifica como "medida razoável"
September 26, 2025

Governo defende extinção da FCT e classifica como medida razoável

A posição de Fernando Alexandre e sua equipe ministerial é uma resposta a uma declaração pública de reitores e pesquisadores enviada à Presidência da República e ao Governo, na qual expressam preocupações de que a descontinuação da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) possa prejudicar a produção científica e criticam a “falta de transparência”... Read More



A posição de Fernando Alexandre e sua equipe ministerial é uma resposta a uma declaração pública de reitores e pesquisadores enviada à Presidência da República e ao Governo, na qual expressam preocupações de que a descontinuação da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) possa prejudicar a produção científica e criticam a “falta de transparência” no processo, lamentando não ter sido consultados.

O assunto em questão envolve a reforma em andamento no Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) e a formação da Agência de Investigação e Inovação (AI2), que irá consolidar as funções até agora desempenhadas pela FCT e pela Agência Nacional de Inovação (ANI).

A proposta de extinção da FCT gerou polêmica e, na comunicação enviada à Presidência da República, onde o decreto-lei do Governo está aguardando promulgação, os reitores e pesquisadores criticam o que consideram uma “ruptura radical” e a metodologia com que o governo conduziu o processo.

“Há um consenso na comunidade científica sobre a necessidade de aprimorar o funcionamento das agências de financiamento (FCT e ANI), assim como de aperfeiçoar os mecanismos de valorização do conhecimento junto a empresas e entidades públicas. Contudo, os problemas reconhecidos não justificam a medida extrema de extinguir a FCT”, argumentam no documento ao qual a Lusa teve acesso.

Em resposta, a equipe liderada por Fernando Alexandre ressalta que a posição pública não representa a opinião do conselho de reitores ou de outros grupos de docentes e pesquisadores. Eles rebatem que a extinção da FCT e a criação da AI2 não é uma “medida radical”, mas sim “parte de uma reforma estrutural mais abrangente” do MECI, enfatizando que o objetivo “não é eliminar competências, mas integrá-las de forma coerente, evitando a fragmentação e a duplicação funcional reconhecidas pela comunidade científica e de inovação”.

O MECI afirma que a nova agência, “que substituirá uma estrutura ultrapassada” e cuja criação “contou com a participação direta” dos presidentes da FCT e da ANI, terá “um mandato claro”, “financiamento plurianual, fundamentado em um contrato-programa de cinco anos, e uma carta de missão”, garantindo ainda a sua “independência em relação ao poder político” e os instrumentos e recursos necessários para cumprir a sua missão.

“A criação da nova Agência representa uma decisão executiva e operacional destinada a aumentar a eficiência e eficácia na gestão do financiamento da ciência e da inovação”, é o que se lê no documento assinado por Fernando Alexandre, que acrescenta que “é necessário um novo paradigma de financiamento, fundamentado no planejamento estratégico”.

“Esse planejamento estratégico, que será refletido no contrato-programa, resultará de uma reflexão profunda, ampla e participativa”, complementa o documento do MECI, que destaca que a comunidade científica será convocada para debater e identificar desafios estratégicos, alocação orçamentária para pesquisa e desenvolvimento e a revisão da Lei da Ciência.

Rejeita-se ainda a ideia de que não existam “diagnósticos sólidos que justifiquem a reforma”, citando uma recomendação do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), que, segundo o governo, “não é fruto de uma opinião abstrata, mas de um trabalho fundamentado em circunstâncias reais”.

“O documento aponta problemas de dispersão e duplicação no sistema científico e de inovação. Aponta, por exemplo, a existência de mais de 800 entidades no ecossistema de pesquisa e inovação em Portugal, a proliferação de instrumentos de financiamento com regras diferentes, cronogramas desencontrados e uma burocracia excessiva que prejudica a eficiência e a previsibilidade”, pode ser lido na resposta do MECI.

Fernando Alexandre e sua equipe negam que o futuro da ciência básica em Portugal esteja em risco, assegurando que “não será desvalorizada”.

“A alocação orçamentária plurianual para a ciência básica permanecerá garantida para esse fim e virá de receitas tributárias”, está mencionado no documento, que ainda ressalta que a dupla tutela da nova agência – pelo MECI e pelo Ministério da Economia e Coesão Territorial – “visa reforçar as sinergias entre os mecanismos de financiamento e não afetará o investimento e atenção à ciência básica”.

“A articulação entre ciência e economia não representa subordinação: é um reconhecimento de que o conhecimento científico deve se traduzir em progresso econômico, social e cultural”, afirma o governo.

Quanto à forma de empresa pública da AI2, o governo a defende, afirmando que “garante coerência estratégica e capacidade de execução, assegurando alinhamento com as prioridades nacionais, ao mesmo tempo que proporciona maior autonomia operacional, agilidade na contratação de recursos qualificados, facilidade na gestão de projetos internacionais e eficácia aprimorada na aplicação de fundos europeus”.

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