A comemorar-se hoje o Dia Mundial do Jornalismo, Marisa Torres da Silva, coordenadora do departamento de ciências da comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Nova FCSH), declarou à agência Lusa que as expressões jornalismo e crise andam juntas.
O jornalismo enfrenta uma crise que “se tem intensificado nos últimos anos, devido a diversos fatores como a propriedade dos meios de comunicação, questões sociais e políticas, e condições inadequadas para o exercício da profissão”.
Nesse sentido, “o panorama não é animador”, garantiu a docente.
Por outro lado, Miguel Paisana, investigador da Obercom, CIES-ISCTE e do Iberifier – Observatório Ibérico de Meios Digitais, considera que existe “um bom jornalismo, no qual as pessoas têm fé”.
De acordo com o relatório Digital News Report Portugal 2025 (DNRPT25), a maior parte dos 2.012 entrevistados “recorre principalmente a marcas de notícias em que confiam (38%) e a fontes oficiais (38%), como sites institucionais, seguidos por motores de busca (35%) e verificadores de factos independentes”, como o Polígrafo (22%), com uma minoria consultando mais de três fontes diferentes para confirmar informações suspeitas.
Junto da Entidade Reguladora da Comunicação (ERC), estavam registradas no início do mês 310 empresas jornalísticas ativas e 183 empresas de notícias, incluindo a agência Lusa e a MadreMedia.
À Lusa, a reguladora explicou que as empresas jornalísticas são proprietárias de publicações cuja atividade principal é a edição de publicações periódicas, enquanto as empresas de notícias têm como foco principal a coleta e distribuição de notícias, comentários ou imagens.
Além disso, segundo informações da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), em Portugal existem 5.232 titulares de carteira profissional de jornalista, sendo 3.073 homens e 2.159 mulheres.
A faixa etária mais representada é a dos 51-60 anos, com 1.549 pessoas, seguida por 1.349 pessoas entre 41-50 anos e 741 indivíduos com idades entre 31-40 anos.
A imprensa é o meio que agrega maior número de jornalistas (1.977), seguido pela televisão (1.034) e rádio (515).
Marisa Torres da Silva ressalta que o Dia Mundial do Jornalismo é uma data importante “para sublinhar a relevância do jornalismo na sociedade e também destacar sua importância, especialmente em tempos tão desafiadores”.
“É uma data crucial para conscientizar sobre os obstáculos e constrangimentos que a atividade enfrenta atualmente, através de ataques à liberdade de imprensa e à atuação dos jornalistas, pressões que hoje em dia não ocorrem apenas em regimes não democráticos”, esclarece a professora.
Por sua vez, Miguel Paisana também aponta a efeméride como uma oportunidade de discutir a importância do jornalismo e dos profissionais dedicados à área.
“É uma ocasião que deve enfatizar a natureza humana do jornalismo. Há uma dimensão humana que muitas vezes não é mencionada e que não é devidamente reconhecida”, conclui o investigador.
Este ano, a agência Lusa participa na campanha World News Day, com o objetivo de alertar o público sobre o papel fundamental que os jornalistas exercem na divulgação de notícias confiáveis que servem os cidadãos e a democracia.
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