Um artigo de perspectiva recém-publicado na revista Nature Nanotechnology descreve uma abordagem inovadora baseada em nanopartículas, projetada para remover proteínas prejudiciais do corpo. Este avanço pode expandir significativamente a capacidade de tratar proteínas “impossíveis de serem tratadas”, abrindo novas possibilidades para doenças como demência e câncer cerebral.
A pesquisa foi liderada pelo Professor Titular em Nanomedicina Bingyang Shi, da University of Technology Sydney (UTS), em colaboração com o Professor Kam Leong, da Columbia University, e o Professor Meng Zheng, da Henan University.
Como Proteínas Anormais Causam Doenças
“As proteínas são essenciais para quase todas as funções do corpo, mas quando se tornam mutadas, mal dobradas, superproduzidas ou se acumulam em locais inadequados, podem interromper processos celulares normais e desencadear doenças,” afirmou o Professor Shi.
“Muitas condições, incluindo câncer, demência e distúrbios autoimunes, são impulsionadas por proteínas anormais, e algumas possuem formas ou comportamentos que as tornam particularmente resistentes aos tratamentos medicamentosos.”
Apresentando os Quimeras de Alvo Mediadas por Nanopartículas
Para enfrentar esse desafio, a equipe criou uma nova classe de nanopartículas engenheiradas chamadas quimeras de alvo mediadas por nanopartículas (NPTACs). Essas partículas microscópicas podem ser personalizadas para se ligar a proteínas relacionadas a doenças e desintegrá-las.
A perspectiva na Nature Nanotechnology, “As quimeras de alvo mediadas por nanopartículas transformam a degradação direcionada de proteínas”, explora como essa tecnologia funciona e onde pode ser aplicada. A descoberta original que fundamentou a abordagem foi relatada pela primeira vez na Nature Nanotechnology em outubro de 2024.
“Desenvolvemos um método eficiente e flexível para direcionar proteínas causadoras de doenças, seja dentro ou fora da célula, para o sistema de reciclagem natural do corpo, onde podem ser quebradas e removidas,” disse o Professor Shi.
Superando as Limitações das Terapias Existentes
A degradação direcionada de proteínas é uma das áreas que mais cresce na biotecnologia, atraindo grande interesse comercial. Empresas como a Arvinas já arrecadaram mais de $1 bilhão USD e firmaram grandes parcerias com a Pfizer, Bayer e Roche.
Apesar desse impulso, as ferramentas existentes para degradação de proteínas frequentemente enfrentam dificuldades com acesso limitado aos tecidos, efeitos não intencionais em proteínas saudáveis e requisitos complexos de fabricação. Esses problemas têm atrasado o progresso em áreas como distúrbios cerebrais e tumores sólidos.
“Nossa estratégia baseada em nanopartículas supera esses obstáculos,” afirmou o Professor Shi.
Principais Vantagens da Plataforma NPTAC
De acordo com os pesquisadores, a nova tecnologia oferece várias vantagens importantes:
- Possibilitando a degradação de proteínas intra- e extracelulares
- Alvo específico para tecidos e doenças, incluindo a travessia da barreira hematoencefálica
- Modularidade plug-and-play, permitindo adaptação rápida a diversos alvos proteicos
- Escalável e clinicamente traduzível; aproveitando nanomateriais aprovados pelo FDA e estratégias de síntese comprovadas pela indústria
- Integração multifuncional, podendo combinar com capacidades diagnósticas ou terapêuticas
Resultados Preliminares e Potencial Futuro
Apresentando múltiplas patentes internacionais, as NPTACs já apresentaram resultados pré-clínicos encorajadores contra alvos de doenças principais, como EGFR (uma proteína frequentemente responsável pelo crescimento tumoral) e PD-L1 (uma proteína que ajuda células cancerosas a evadir o sistema imunológico).
“Esse progresso abre caminho para aplicações em oncologia, neurologia e imunologia. Isso muda nossa percepção sobre nanopartículas – não apenas como ferramentas de entrega, mas também como agentes terapêuticos ativos,” disse o Professor Shi.
“Com o mercado de degradação de proteínas direcionada projetado para ultrapassar $10 bilhões USD até 2030, as NPTACs oferecem uma plataforma poderosa para a próxima geração de terapias de precisão inteligente.
“Estamos agora buscando parceiros estratégicos da indústria para acelerar o desenvolvimento clínico, licenciar aplicações em diversos campos terapêuticos e nos preparar para a aprovação regulatória,” disse ele.







