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Estudo mostra que sangue jovem pode retardar Alzheimer em camundongos
Janeiro 15, 2026

Estudo mostra que sangue jovem pode retardar Alzheimer em camundongos

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência em todo o mundo e representa um dos desafios mais significativos para os sistemas de saúde pública. Novas descobertas publicadas na revista Aging-US indicam que substâncias presentes no sangue podem influenciar a rapidez com que a doença avança. Em experimentos com camundongos, os pesquisadores observaram... Read More


A doença de Alzheimer é a principal causa de demência em todo o mundo e representa um dos desafios mais significativos para os sistemas de saúde pública. Novas descobertas publicadas na revista Aging-US indicam que substâncias presentes no sangue podem influenciar a rapidez com que a doença avança. Em experimentos com camundongos, os pesquisadores observaram que o sangue de animais mais velhos acelerou os danos relacionados ao Alzheimer, enquanto o sangue de camundongos mais jovens pareceu ter um efeito protetor.

O estudo foi realizado por cientistas do Instituto Latinoamericano de Saúde Cerebral (BrainLat) da Universidad Adolfo Ibáñez, em colaboração com o MELISA Institute, a Universidade de Texas Health Science Center em Houston e a Universidad Mayor.

Como o Alzheimer Afeta o Cérebro

A doença de Alzheimer é caracterizada pelo acúmulo da proteína beta-amiloide (Aβ) no cérebro. Essas proteínas se agrupam para formar placas que prejudicam a comunicação entre os neurônios e desencadeiam processos que gradualmente danificam o tecido cerebral. Embora a beta-amiloide seja produzida no cérebro, pesquisas recentes sugerem que ela também pode ser detectada na corrente sanguínea. Essa descoberta levantou novas questões sobre a possibilidade de fatores relacionados ao sangue influenciarem a progressão da doença.

Investigando os Efeitos do Sangue Jovem e Velho

Para investigar essa possibilidade, os pesquisadores utilizaram camundongos transgênicos Tg2576 (um modelo amplamente empregado na pesquisa sobre Alzheimer). Durante um período de 30 semanas, os camundongos receberam infusões semanais de sangue de doadores jovens ou idosos. O objetivo era descobrir se os componentes do sangue poderiam afetar o acúmulo de amiloide no cérebro, além da memória e do comportamento.

De acordo com a Dr.ª Claudia Durán-Aniotz do Instituto Latinoamericano de Saúde Cerebral (BrainLat) da Universidad Adolfo Ibáñez, os resultados ressaltam a importância de olhar além do cérebro em si. “Este trabalho colaborativo entre diversas instituições reforça a necessidade de compreender como fatores sistêmicos condicionam o ambiente cerebral e impactam diretamente os mecanismos que promovem a progressão da doença. Ao demonstrar que sinais periféricos derivados do sangue envelhecido podem modular processos centrais na fisiopatologia da doença de Alzheimer, esses achados abrem novas oportunidades para estudar alvos terapêuticos voltados para o eixo sangue-cérebro,” explicou.

Avaliando a Memória e Alterações Moleculares

A equipe de pesquisa avaliou o desempenho cognitivo utilizando o teste de Barnes e mediu o acúmulo de placas de amiloide através de métodos histológicos e bioquímicos. Eles também realizaram uma análise proteômica detalhada do tecido cerebral dos camundongos tratados. Essa análise identificou mais de 250 proteínas cujos níveis de atividade haviam mudado. Muitas dessas proteínas estão envolvidas na função sináptica, sinalização endocanabinóide e regulação de canais de cálcio, oferecendo possíveis explicações para as diferenças observadas na saúde cerebral e no comportamento.

O MELISA Institute teve papel fundamental na análise dos complexos dados proteicos. Mauricio Hernández, especialista em proteômica do instituto, comentou sobre os desafios técnicos envolvidos. “Neste estudo, realizamos uma análise proteômica em larga escala que nos permitiu gerar dados de excelente qualidade nesta matriz complexa como o plasma, um desafio técnico para qualquer laboratório de proteômica. Graças ao nosso equipamento de ponta (timsTOF Pro2), temos orgulho de ter contribuído para a produção de um artigo científico robusto e de alta qualidade.”

Implicações para Pesquisas Futuras sobre Alzheimer

Os achados acrescentam evidências crescentes de que fatores circulantes no sangue podem afetar diretamente o curso de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer. Ao identificar como esses sinais baseados no sangue influenciam o cérebro, os cientistas podem descobrir novos alvos para tratamento e desenvolver estratégias para retardar ou prevenir a progressão da doença. Pesquisas futuras se concentrarão em identificar os fatores específicos envolvidos e determinar se eles podem ser direcionados de forma segura em humanos.

“É um prazer contribuir com nossas capacidades proteômicas para apoiar iniciativas de pesquisa inovadoras como este estudo, que nos permitem avançar no conhecimento e no desenvolvimento de novas terapias para doenças neurodegenerativas, que atualmente são um problema de saúde global,” disse Dr. Elard Koch, Presidente do MELISA Institute.

Financiamento e Apoio à Pesquisa

C.DA. contou com o apoio da ANID/FONDECYT Regular 1210622, ANID/PIA/ANILLOS ACT210096, da Alzheimer’s Association (AARGD-24-1310017), ANID/FOVI240065 e ANID/Projeto Exploração 13240170 e MULTI-PARTNER CONSORTIUM TO EXPAND DEMENTIA RESEARCH IN LATIN AMERICA (ReDLat), apoiado pela concessão de pesquisa R01AG057234 do NIH, financiada pelo National Institute of Aging (NIA) e pelo Fogarty International Center (FIC), uma concessão da Alzheimer’s Association (SG-20-725707-ReDLat), a Rainwater Charitable Foundation e o Global Brain Health Institute, com suporte adicional do Bluefield Project to Cure Frontotemporal Dementia, um contrato do NIH (75NS95022C00031), e da NIA sob os prêmios R01AG075775, R01AG082056 e R01AG083799. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva dos autores e não representa as opiniões oficiais dos Institutos Nacionais de Saúde, da Alzheimer’s Association, da Rainwater Charitable Foundation, do Bluefield Project to Cure Frontotemporal Dementia, ou do Global Brain Health Institute. A contribuição de RM e da equipe neste trabalho foi apoiada pelas subvenções do NIH RF1AG072491 e RF1AG059321. UW foi apoiado pela ANID/FONDECYT Regular 1240176.

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