A passagem da depressão pós-tropical Gabrielle trouxe um alivio aos dias quentes que caracterizavam o início deste outono, durante este fim de semana. Com chuvas intensas e várias ocorrências registradas a norte, esse fenômeno atingiu o continente após causar danos significativos nos Açores (onde chegou com uma força maior do que o esperado) antes de seguir para a Espanha.
Embora os efeitos deste furacão ‘só’ tenham sido notados no fim de semana, existem diversos dados que podem ter passado despercebidos, como as rajadas de vento mais intensas, por exemplo.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) divulgou uma análise, enfatizando que os dados são preliminares e que serão sujeitos a uma reavaliação.
A rajada mais intensa no continente atingiu 105 km/h
Na análise elaborada, os especialistas observam que o ‘landfall’, ou seja, a entrada da depressão em terra, ocorreu na região de Aveiro por volta das 5 horas de domingo (a sua aproximação já havia levado os guarda-chuvas a serem retirados na tarde de sábado).
“Como é comum em sistemas meteorológicos desse tipo, a propagação sobre a terra, em parte devido ao atrito com a superfície, foi relativamente lenta (cerca de 25 km/h). Esse fator, combinado com o posicionamento de cada área em relação às bandas de precipitação, definiu a distribuição da precipitação acumulada. Assim, nas regiões do Minho, Douro Litoral e Beira Litoral, esses valores foram mais significativos”, informa a nota publicada no site do IPMA.
Entretanto, além da chuva, que levou o Porto a ser colocado sob aviso vermelho, Gabrielle trouxe ventos intensos… mas onde foram mais fortes?
Os especialistas do IPMA afirmam que a origem tropical desta tempestade “propiciou, naturalmente, um regime de vento turbulento, com rajadas que se aproximaram e, por vezes, excederam 100 km/h em locais situados em grandes altitudes”. O vento foi mais forte no domingo, dia 28, com a tempestade se deslocando mais para sudeste, tendo a maior rajada atingido 105,5 km/h na Fóia, Serra de Monchique, Algarve.
“Os valores mais elevados de vento máximo instantâneo no dia 27, enquanto a depressão ainda estava sobre o Atlântico, foram observados nas estações de Pampilhosa da Serra (97.9 km/h, às 20 UTC) e do Cabo da Roca (82.1 km/h, às 13h20 UTC), no primeiro caso devido à exposição e maior altitude, e no segundo, pela proximidade ao mar e efeitos locais”, explicam.
Antes de chegar ao continente, os Açores
Antes de seguir para a Espanha, Gabrielle passou pelo arquipélago dos Açores, onde, além das centenas de ocorrências, deixou pelo menos 16 desalojados. O fenômeno chegou ao arquipélago com mais intensidade do que se previa inicialmente, tendo passado de depressão tropical a furacão e, em seguida, a ciclone pós-tropical, categoria que assumiu quando estava a 250 km/h ao sul da ilha das Flores.
“O parâmetro mais importante relacionado à tempestade Gabrielle foi o vento. Neste contexto, o núcleo central foi o que, de forma mais generalizada, esteve sujeito a escoamentos mais fortes, tanto em termos do valor do vento máximo instantâneo (rajada) quanto na persistência do vento médio,” explica o IPMA, destacando que “foi ali que se observaram os valores mais altos deste episódio, entre as estações situadas a baixa altitude”.
“De fato, a estação da Horta/Príncipe Alberto do Mônaco, praticamente ao nível do mar, registrou 146 km/h (entre 4 e 5 UTC) e 154 km/h (entre 5 e 6 UTC). Também na estação de Santa Bárbara (propriedade da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo) foi observado um elevado valor de 185 km/h (entre 4 e 5 UTC), mas a maior altitude“, detalha o IPMA.
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