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A saída de Ruben Amorim do Manchester United não deve ser interpretada simplesmente como um fracasso, mas sim como um momento que representa tanto uma ruptura quanto uma possibilidade de esclarecimento no seu percurso.
Aos 41 anos, apesar de o técnico português já não ser considerado uma promessa, ele não precisa mais provar que tem visão e resiliência para um projeto esportivo. Características que foram consolidadas e reconhecidas pelo seu trabalho em Portugal, especialmente no Sporting, que ele tentou adaptar em solo inglês. Com argumentos a favor e contra, seu ciclo no Manchester United chegou ao fim esta semana.
Embora 14 meses sejam um período curto para transformar uma realidade tão singular no futebol inglês e mundial, e considerando que não foram dadas as melhores condições ao técnico, algumas questões foram evidentes. A experiência em Old Trafford revelou certos limites, particularmente em relação à sua flexibilidade tático-técnica, e também confirmou uma verdade fundamental: Amorim pode não ser o treinador mais adequado para ambientes caóticos.
Agora, o foco na carreira do jovem treinador português deve ser a seleção do contexto ideal, em um futebol que é cada vez menos paciente e mais turbulento, onde nem todos os projetos são compatíveis com todos os treinadores e vice-versa. O próximo passo de Ruben Amorim não deverá ser apenas mais um desafio, mas sim uma decisão estratégica que pode determinar se seu futuro envolve reconstruir, afirmar-se de maneira definitiva ou reinventar sua identidade para retornar ao destaque do futebol europeu. Existem muitos clubes onde Amorim poderia prosperar, mas aqui estão três exemplos de projetos onde ele teoricamente se encaixaria.
3.
Benfica – Esta é uma das opções mais lógicas e comentadas, considerando sua antiga ligação ao clube da Luz, seu entendimento do DNA encarnado e como uma das melhores maneiras de iniciar um novo projeto de forma estável. Sendo um técnico que valoriza e desenvolve jovens talentos, ele realiza contratações cirúrgicas apenas para completar seu elenco, ajustando-se perfeitamente ao seu antigo clube. Embora isso possa ser visto como um retrocesso, já que Amorim teve sucesso antes no futebol português e a liga inglesa possui mais prestígio.
A saída dele para o Benfica começará a ganhar força, especialmente à medida que o período de José Mourinho não traz melhorias suficientemente satisfatórias para uma boa parte da torcida. Isso poderá ser visto como a última oportunidade de Rui Costa para estabilizar o clube esportivamente e garantir um sucesso sustentado. Porém, considerando o cenário atual, a presença de Ruben Amorim no Benfica apenas faria sentido em um contexto de mudança radical e reestruturação, não como uma solução de curto prazo para apagar incêndios.
2.
Chelsea – Esta poderia ser uma opção bastante interessante. Apesar da turbulência que o clube londrino frequentemente enfrenta, um projeto ao redor do treinador português, fundamentado na estabilidade, poderia não só promover o nome de Amorim na Inglaterra, mas também levar o Chelsea de volta ao sucesso, tanto em nível nacional quanto internacional. Com acesso a quase ilimitados recursos financeiros para reforçar posições que julgar necessárias, e já familiarizado com a dinâmica do futebol britânico, Amorim teria a chance de fazer muito mais do que no Manchester.
Se a experiência de Liam Rosenior não gerar os resultados esperados e se o projeto atual não se estabilizar, o treinador português seria uma alternativa forte. No entanto, é importante notar que o Chelsea representa não apenas uma oportunidade, mas também um risco. A questão reside em saber se o clube estaria disposto a se adaptar a um estilo de treinador, algo que raramente aconteceu nas últimas duas décadas.
1.
Borussia Dortmund – Esta poderia ser uma oportunidade que se alinha perfeitamente com o perfil do técnico português. O Dortmund, um clube que valoriza a construção de uma identidade própria e a estabilidade, além de desenvolver talentos para alcançar o sucesso, seria um ambiente ideal para Amorim. Esse cenário poderia ser a chave para finalmente quebrar a supremacia do Bayern de Munique, que já dura 14 anos.
Mais do que apenas títulos, Amorim poderia conquistar tempo, um recurso raro e valioso no futebol contemporâneo. O estilo do técnico encaixaria bem no clube alemão. Em uma liga caracterizada por intensidade, transições rápidas e um jogo vertical, seu modelo tático com três defesas e alas que equilibram ataque e defesa teria um solo fértil para se afirmar, além de representar um ambiente mais propício do que a rigidez e o barulho da mídia presente na Premier League.
Após o desafio em Manchester, independentemente de qual direção sua carreira tomará, Ruben Amorim deve dar o passo certo, evitando retrocessos. No futebol moderno, escolher o projeto adequado é tão decisivo quanto vencer nas quatro linhas.







