Semanário Gazeta das Caldas celebra 100 anos com edição especial

Semanário Gazeta das Caldas celebra 100 anos com edição especial


Caldas da Rainha, Leiria, 30 de setembro de 2025 (Lusa) — O jornal regional Gazeta das Caldas, que possui uma tiragem de cinco mil cópias, celebra no próximo quinta-feira seu centenário com uma edição especial dedicada à trajetória do semanário, que já conta com 5.611 edições publicadas.

O jornal teve sua primeira edição lançada em 1º de outubro de 1925, impressa na tipografia Caldense de José da Silva Dias, e se apresentava como um “jornal regionalista”, estabelecendo sede nos pavilhões do Parque, localizado nas Caldas da Rainha, no distrito de Leiria.

Na edição inaugural, sob o título “Ao que vimos”, o jornal proclamava-se “totalmente livre de qualquer política partidária” e expressava o objetivo de “servir os interesses da região”. Ao completar 5.611 edições na quinta-feira, o semanário chegou a ter uma notável tiragem semanal de 13 mil exemplares em seus anos áureos.

Os cem anos de existência do jornal consagram-no como “um documento histórico”, afirma o diretor José Luiz Almeida e Silva em entrevista à Lusa, ressaltando que, durante diversas fases de sua trajetória, o semanário apresenta uma identidade mais nacional entre 1936 e 1946, enfrentou uma crise em 1946 que resultou na suspensão das publicações por dois anos, voltando a ser impresso em 1948 e recuperando seu foco regionalista.

Com a democratização de Portugal em 1975, a Gazeta passou a ser gerida pela Cooperativa Editorial Caldense, mantendo José Luiz Almeida e Silva como diretor, que dirigiu 2.773 edições ao longo de 50 anos.

Durante meio século “trabalhando ‘pro bono'” no jornal, onde “até o final dos anos 80 não havia jornalistas remunerados e as edições eram produzidas por colaboradores”, José Luiz trouxe novas dinâmicas à Gazeta das Caldas, “na busca de torná-la um jornal moderno, aberto e democrático”.

Com frequência “pregando no deserto”, em outros momentos se posicionando como “porta-voz da resistência contra a criação de uma usina nuclear”, a Gazeta das Caldas, ao longo dos anos, trilhou um caminho de modernização, investindo em digitalização, promovendo iniciativas culturais e disponibilizando novos conteúdos, como a produção de ‘podcasts’.

No entanto, nada impediu o jornal de “sofrer a crise que afeta todos os jornais regionais, nacionais e internacionais”, cujas “formas de sobrevivência precisam ser repensadas”, afirma o diretor, que se despede da direção da Gazeta após 50 anos de serviço.

“Prometi a todos que só queria chegar aos 100 anos da Gazeta e, depois, sairia, pois, ao me aproximar dos 75 anos, não quero correr o risco de me tornar um fardo para a organização”, justificou.

“O tempo passou rapidamente, talvez tempo demais, mas algumas tentativas de me afastar, por motivos profissionais e acadêmicos, se mostraram inviáveis ou difíceis de realizar”, escreverá o diretor na edição de despedida para os leitores, explicando que “o tempo estabelece suas regras e a coincidência com o centenário do jornal justifica agora essa decisão”.

A edição comemorativa do centenário será um número especial com 80 páginas, contando com a colaboração como diretor convidado do juiz Carlos Querido, uma capa criada pela ilustradora Cristina Sampaio e design gráfico do designer editorial Jorge Silva.

O jornal, que possui uma tiragem semanal de cinco mil cópias e conta com três mil assinantes, é publicado às quintas-feiras e dispõe de uma equipe de oito colaboradores, dos quais quatro são jornalistas.

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