O ano de 2025 relembra 2008. A vitória no Europeu Sub-17 já era um grande destaque para a geração portuguesa, mas o inédito Mundial Sub-17 também conquistado torna o ano que culminou inesquecível. Bino Maçães liderou uma equipe que envolveu toda uma nação e revelou talentos promissores para a seleção. Após receber o Prémio de Equipa do Ano Bola na Rede 2025, o treinador dos sub-17 discutiu os feitos, desafios e expectativas futuras para uma das gerações mais emocionantes do futebol nacional.
«No futebol, tudo acontece rapidamente e novos desafios surgem. Eles conquistaram títulos em sub-17, mas há mais troféus a serem disputados em sub-19 e sub-21».
Bino Maçães
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Bola na Rede: Você tem recebido diversos prêmios recentemente. Como tem sido essa fase após um ano tão significativo com a conquista do Mundial Sub-17?
Bino Maçães: Sinto que é algo normal. Embora não costumemos receber prêmios frequentemente, estes dias têm sido tranquilos. É verdade que estou falando mais do que o habitual, mas isso reflete o que realizamos e o esforço que os jovens empenharam ao longo da temporada. Contudo, a jornada ainda não terminou; temos um apuramento pela frente e precisamos continuar a trabalhar. Estou bastante satisfeito, pois este reconhecimento é para todos. Os jogadores são a parte mais visível, mas é fundamental lembrar o trabalho de todos os que colaboraram nos bastidores. O nosso staff teve um papel crucial no desempenho dos jogadores, garantindo que estavam sempre nas melhores condições, seja na recuperação, na alimentação ou no sono. Preocupamo-nos muito para que tivessem um bom rendimento, e eles superaram todas as expectativas.
Bola na Rede: Em 2025, conquistaram tanto o Europeu quanto o Mundial. O que ainda falta para esses jovens?
Bino Maçães: [risos] O desafio é que tudo passa rapidamente no futebol e já temos novas metas à vista. Eles conquistaram títulos em sub-17, mas já há competições em sub-19 e sub-21, além do Mundial Sub-20. Temos um longo caminho pela frente e, embora já tenham mostrado grande valor, é necessário manter uma boa consistência para ter uma carreira de alto nível. Espero que esses jogadores consigam isso, já que precisam manter os pés no chão, como sempre digo, mostrando humildade e buscando melhorar. Não é porque ganharam o Europeu e o Mundial que está tudo resolvido; individualmente, todos sabem que têm muito a aprimorar. Estão em um bom caminho e têm potencial para isso, disso eu não tenho dúvidas.
«Quando nos deparamos com seleções africanas que têm um estilo de jogo distinto ou seleções sul-americanas que jogam em alta rotação e marcam homem a homem, isso obriga-nos a diversificar e é muito bom para o crescimento dos nossos jogadores».
Bino Maçães
Bola na Rede: Quais foram as maiores dificuldades e desafios em equilibrar os pés no chão com a euforia que vem após duas conquistas?
Bino Maçães: Acho que é natural, nos primeiros dias após os triunfos, sentir uma leveza. Quando se trata de jovens, isso é compreensível. Com tantas solicitações e pessoas elogiando, é normal. Contudo, é preciso manter o foco. Tenho essa preocupação e espero que os clubes e as famílias também estejam atentas. Como já mencionei, não podemos parar. No dia seguinte, eles já têm que treinar e se superar em relação aos outros. Essa sensação logo se dissipa, e voltamos à programação normal, que é o que queremos. Quando falamos em subir de nível, a exigência e a superação necessárias são cruciais para que os jogadores evoluam. Haverá uma adaptação importante, pois eles estarão competindo com jogadores mais velhos, fisicamente mais fortes e em uma fase de maturação diferente. O crescimento deve ocorrer principalmente em situações desafiadoras e adversas.
Bola na Rede: Quais as principais diferenças entre o Europeu e o Mundial, que apresenta seleções de outros continentes com diferentes características e abordagens?
Bino Maçães: Sem dúvida que foram experiências distintas. No Europeu, de maneira geral, nossos jogadores estavam em melhor forma. Participar de um torneio europeu com tantas equipes de qualidade e enfrentando adversários como a Albânia, que era o país anfitrião e talvez a menos forte, torna o nível muito elevado. Não havia espaço para relaxar ou administrar; era necessário sempre jogar no máximo. Já no Mundial, com 48 seleções, há a chance de enfrentar uma ou outra equipe menos competitiva na fase de grupos, permitindo um certo gerenciamento de situações. A diversidade de estilos enfrentados também é vital para o desenvolvimento dos jogadores. Enfrentar seleções africanas com características distintas ou sul-americanas com alta rotação e marcação individual faz com que nossos jogadores se ajustem a diferentes exigências, o que é maravilhoso para o seu progresso. Foi essencial observar como reagiram a esses contextos variados, mudando o “chip” a cada novo jogo. Sinto orgulho de treinar essa equipe, pela maneira como conseguiram lidar com esses desafios e pela maturidade que demonstraram, mesmo sendo tão jovens. O que entregaram em campo foi extraordinário.
«Percebi que eles estavam mais silenciosos, quando normalmente são bastante brincalhões. Todo o grupo estava calado e não os via interagindo tanto quanto de costume. Achei isso bem curioso e busquei compreender o que se estava a passar».
Bino Maçães
Bola na Rede: Tivemos um jogo em que Portugal perdeu na fase de grupos para o Japão. Foi uma partida que exigiu certa rotação, já com a seleção garantida, mas também trouxemos à tona algumas dificuldades de implementar nosso estilo de jogo sob a pressão japonesa. Qual a importância dessa derrota para a evolução da equipe?
Bino Maçães: Não sei se foi interessante para a evolução, mas foi relevante por nos proporcionar essa experiência pela primeira vez. No Europeu, não passamos por uma situação de derrota e, depois, reagir em um jogo seguinte. Sempre fizemos as coisas corretamente, vencendo, embora tenhamos empatado com a França em um dos jogos. Ao enfrentar essa situação, nossos jogadores se mostraram um tanto inseguros e inquietos, o que não esperava. Embora já tivéssemos nos apurado, estava na expectativa de trazer um discurso de reflexão e manter a humildade, com a mensagem de que “perdemos uma partida, vamos manter a calma e devemos melhorar”. Porém, não foi assim que as coisas se desenrolaram. Os jogadores ficaram preocupados por termos perdido para o Japão apenas três semanas antes do Mundial, o que afetou a confiança. Precisamos desmistificar essas dúvidas e fazê-los entender que não havia motivo para tal incerteza. A forma como reagiram contra a Bélgica, no jogo seguinte, me fez acreditar que tínhamos potencial para chegar longe no Mundial.
Bola na Rede: Em uma competição longa, como um mês distante de casa, como consegue um treinador evitar que dúvidas cresçam no ambiente da equipe?
Bino Maçães: É importante ter a intuição de um treinador. Estar atento aos sinais é crucial para quem lidera. Após um período em que tudo estava normal, comecei a perceber que os jogadores se tornaram mais silenciosos, e não era cansaço. No treino seguinte, a resposta foi menos entusiasmada que o habitual, o que indicou que algo não estava bem. Notei que estavam mais quietos do que normalmente e busquei entender a razão. Chamei os capitães para falar sobre o que estava acontecendo, sugerindo que se abrissem entre si para dissipar essa tensão. Realizamos uma reunião técnica onde discutimos todas as coisas boas que haviam feito no Europeu.
«Avaliamos os padrões de jogo da Áustria que conseguimos neutralizar e, felizmente, o plano funcionou bem».
Bino Maçães
Bola na Rede: Após essa fase, a criação de um time-base que raramente mudou ao longo do torneio foi significativa para a coesão do grupo e a autoconfiança?
Bino Maçães: Não tenho certeza quanto a isso. Eu, como treinador, não vejo assim. Pode ser que os jogadores que atuam com maior frequência se sintam mais seguros em suas funções. No entanto, em minha visão como treinador, todos têm seu valor. No Europeu e no Mundial, as substituições que fizemos sempre trouxeram mais energia ao time e, muitas vezes, melhoraram nosso desempenho. Isso reflete o esforço coletivo e a qualidade não só da equipe titular, mas de todo o elenco. É importante notar que os jogadores que têm menos minutos demonstraram incrível comprometimento, mesmo sendo jovens, e mostraram um verdadeiro amor pela seleção. Se eu jogo apenas dez minutos, tenho que me entregar completamente. Isso foi fundamental para nós. Contamos não apenas com onze titulares, mas com um time de 21 jogadores prontos e focados. Isso era o mais importante.
Bola na Rede: A final foi decidida nos pênaltis e teve uma carga emocional peculiar. Você percebeu a equipe mais tranquila do que na final do Europeu ou com uma responsabilidade ainda maior?
Bino Maçães: Durante os pênaltis, senti que a equipe estava mais preparada. Fizemos algumas coisas de forma diferente. Tanto no Europeu quanto no Mundial, enfrentamos momentos onde houve semelhanças. Na semifinal contra a Itália [no Europeu], também fomos para a decisão por pênaltis, e nessa ocasião a equipe parecia mais tensa do que contra o Brasil [no Mundial]. Contra o Brasil, eles estavam mais calmos e confiantes. Isso é só uma aparência, sabemos que por dentro a ansiedade é alta. Na final, não percebi que eles estavam mais relaxados, mas notei que estavam mais tranquilos porque a Áustria não participou do Europeu e nós já tínhamos passado por uma final. Isso nos deu uma certa vantagem, pois estávamos cientes de como atuar em um grande estádio. Depois de superar o Brasil, uma das seleções mais tituladas da competição, sabíamos que éramos capazes. Foi importante para nós reforçar o foco, e eles também estavam conscientes disso, uma vez que os jovens de hoje se informam muito e, muitas vezes, sabem mais do que nós sobre quem são os jogadores, quem ganha e quem perde. Eles estavam muito respeitosos em relação ao histórico da Áustria, que venceu todas as partidas e sofreu apenas um gol até a final. Isso diz muito da sua qualidade. Acreditávamos que, se abordássemos algumas fraquezas defensivas da Áustria, teríamos sucesso. Mantivemos a concentração e entendemos que, se fizéssemos bem nosso jogo, conseguiríamos vitória, pois nossa qualidade com a posse é evidente. O foco foi anular os padrões de jogo da Áustria, e felizmente, tudo deu certo.
«É fundamental que sejamos claros na nossa proposta para que eles compreendam exatamente o que precisam fazer».
Bino Maçães
Bola na Rede: Sente que a equipe sub-17 possui uma mentalidade que permite olhar para os adversários com confiança, um sinal positivo em relação às gerações mais jovens de Portugal? No passado, havia um receio em relação às grandes seleções, mas agora os jogadores parecem acreditar que podem superá-los?
Bino Maçães: Durante o tempo em que estou aqui, isso sempre se tornou visível. Não pelo fato de olharmos de cima para baixo, mas sim por conhecermos nossos valores e o que podemos alcançar. Se jogarmos no nosso nível, podemos vencer qualquer equipe e isso sempre foi uma crença inserida na nossa equipe. Passamos por um processo até atingirmos a categoria sub-17, onde tivemos inúmeras derrotas. Esse processo foi válido para que os jogadores entendessem que, embora os adversários sejam bons, se igualarmos intensidade e foco, estaremos em condições equivalentes. Trata-se de ter confiança e saber que, ao enfrentar a Alemanha, por exemplo, precisamos igualar a sua intensidade porque eles não param. Eles são fisicamente fortes, defensivamente agressivos e têm um jogo rápido. Eles já possuem uma experiência significativa e um ritmo de jogo elevado. Se conseguirmos igualar isso e realizarmos o que devemos, não devemos nada a ninguém. A Alemanha é um exemplo, mas poderíamos mencionar a França, onde também conhecemos as derrotas. Já estávamos próximos da categoria sub-17 e começamos a vencer. Isso valida o que tentamos transmitir aos jogadores sobre o que queremos implementá-los e como a intensidade de jogo deve ser. Eles compreendem que, quando chegam aqui, esse é o padrão esperado. Se não se adequaram, as vitórias são difíceis de alcançar.
Bola na Rede: Em termos de jogo, Portugal exibe um estilo de jogo versátil, atuando tanto pela corta quanto pelo longo, com uma defesa mais alta ou mais recuada. Como sua equipe alcança essa maturidade para entender os diferentes cenários, às vezes até ao longo do mesmo jogo?
Bino Maçães: Primeiramente, é importante reconhecer o trabalho realizado pelos clubes. Muitos têm evoluído com a diversificação dos estilos de jogo, incluindo adaptações estruturais. Além disso, a inteligência e a compreensão do jogo por parte dos atletas têm crescido expressivamente, e isso é crucial. Com pouco tempo para treinar nas seleções, esse aspecto se torna determinante. Podemos contar com a atenção dos jogadores, mostrar vídeos e treinar conforme nosso padrão de jogo, mas o tempo é escasso. Quando falamos de equipes que precisam de mais tempo para se adaptar ao treinador e suas táticas, nas seleções esse tempo não é um luxo. Portanto, devemos ser muito claros em nossas propostas para que eles compreendam o que é necessário. Isso é fundamental. Quando isso ocorre, as coisas começam a fluir de maneira mais natural, e conseguimos aprimorar a nossa forma de jogar e inovar taticamente. Não queremos que nossos adversários entendam nossos padrões. Hoje em dia, qualquer equipe pode analisar os jogos. Com apenas quatro partidas de Portugal ou das seleções que enfrentamos, conseguimos perceber padrões. É isso que queremos evitar em termos de jogabilidade. Desejamos que observem que temos múltiplas facetas e que possam nos avaliar e pensar nas nossas estratégias para cada confronto. Precisamos cultivar essa indefinição. Isso é resultado de treinos e da habilidade dos jogadores de interpretar as situações. Também é fruto do trabalho que venho desenvolvendo com eles ao longo de dois anos e meio. Se eu os tivesse pego pela primeira vez, acredito que não estaríamos onde estamos atualmente em termos de processo. A estrutura em que estamos permite acompanhar a evolução dos jogadores dos sub-16 ao sub-20. Ao longo desses quatro anos, construímos uma identificação entre eles e comigo, o que facilitou muito o entendimento. Eles foram percebendo o que era necessário para alcançar o sucesso. Temos que propor alternativas em nosso jogo para criar indefinições aos adversários. Dependendo do que observamos neles, algumas vezes, vamos pressionar mais alto, em outras, deixamos que eles construam e nos posicionamos em um bloco mais defensivo. Esses são nossos segredos, e claro que não podemos revelar tudo [risos].
«É um desafio diminuir a porcentagem de jogadores que passam pelas seleções e pelos clubes até chegarem às equipes principais, que é muito baixa».
Bino Maçães
Bola na Rede: Olhando para o futuro, você acredita que, com a profissionalização das estruturas e equipes técnicas e um maior entendimento por parte dos jogadores, a transição para o futebol sênior torna-se mais suave e há menos riscos de perder talentos nesse caminho?
Bino Maçães: Sim, desde que os clubes façam essa aposta. Estamos em um momento diferente e acredito que os caminhos para alcançar as equipes principais estão mais distribuídos. Agora, temos equipes sub-23, além de times B; antigamente, o salto para o time A acontecia diretamente após os sub-19. Se um jogador se destacava, subia rapidamente; caso contrário, era emprestado e estava em risco de perder seu futuro. Nesse novo modelo, os progressos dos jogadores são mais sustentáveis. Imagine que um jovem nosso vai para uma equipe A ou B, mas talvez muito além do que ele pode apresentar. Podemos reassigi-lo aos sub-23 e observar se ele se adapta. Quando isso ocorrer e confirmarmos seu talento, ele pode subir. Acredito que essas categorias são benéficas e minimizam a perda de jogadores, desde que os clubes mantenham essa visão em mente. Continuamos a ter talento abundante e essa é uma prova de nossa capacidade e qualidade. Portugal ainda dispõe de uma generosa reserva de talentos. Apesar de sermos um país pequeno, temos talento de sobra no futebol.
Bola na Rede: Recentemente, José Neto fez uma aparição na equipe principal do Benfica. Você enxerga nele potenciais para se firmar rapidamente neste nível e há outros jogadores prontos para subir a uma esta situação?
Bino Maçães: Identifico jogadores com grande potencial, e todos nós, tanto na seleção quanto nos clubes, enfrentamos o desafio de aumentar a porcentagem de jogadores que fazem a transição das seleções para as equipes principais, que atualmente é muito baixa. Sem dúvida, temos promovido muitos atletas, mas a percentagem ainda é insatisfatória. Historicamente, aproximadamente 10% de cada geração que esteve nos sub-17 chega às equipes principais, o que é baixo. Esse é um desafio para nós. Esta equipe é campeã da Europa e do mundo e precisamos aumentar a quantidade de jogadores que estão nessa transição. Além disso, as novas gerações que virão vão se inspirar no que esta equipe alcançou e acreditar que também pode ser possível para eles. Isso deverá resultar em um maior número de atletas nas equipes principais. José Neto é um excelente exemplo do crescimento e da aposta sustentada que pode ser feita. Há outros com a mesma qualidade que podem conseguir isso rapidamente.
Bola na Rede: Embora seja complicado para um treinador individualizar o trabalho em um grupo, você vê outros jogadores capazes de assumir um papel na equipe principal nesta temporada?
Bino Maçães: Reconheço essa possibilidade. Até pode parecer incomum, mas vejo jogadores da nossa seleção que tiveram menos tempo em campo no Europeu e no Mundial, mas que têm talento para integrar as equipes principais. É verdade que alguns terão mais chances que outros, e isso é uma constante, mas mesmo aqueles que não jogaram com tanta frequência conseguiram fazer contribuições significativas. Isso também reflete a personalidade e o caráter dos atletas. Se você entra em campo por dez minutos, precisa ter a mesma entrega que se estivesse jogando 90 minutos. Esses são valores que um jogador precisa possuir para chegar às equipes principais. A resiliência e a atitude, sabendo que este não é o meu momento, mas vou dar o meu melhor e quero mais, são fatores fundamentais. Não é fácil, especialmente para esses jovens que têm tudo à disposição, são sempre titulares em seus clubes e, ao chegarem à seleção, não jogam. Essa reação diz muito sobre o potencial deles. Não vou citar nomes, principalmente por respeito e orgulho por todos, mas há jovens com um imenso potencial para ascender ao time principal em um futuro próximo.
«O mercado se abriu de uma maneira que não se via antes. Temos a capacidade de contratar onde quisermos, e há equipes em Portugal que não utilizam jogadores portugueses».
Bino Maçães
Bola na Rede: Em um nível pessoal, você gostaria de continuar acompanhando esses jovens nas seleções?
Bino Maçães: Se o trajeto seguir seu curso normal e as coisas continuarem na Federação como estão, isso será bastante interessante. Conquistamos o Europeu e o Mundial Sub-17, mas já temos um desafio pela frente com os sub-19, que será muito mais difícil, pois estamos subindo um nível, onde temos mais jogadores em equipes principais, tanto aqui quanto no exterior. O nível de competitividade está aumentando. Vou estar atento para ver qual caminho essa geração tomará, embora eu saiba que o preço do sucesso pode levar alguns atletas da geração de 2008 a subir à próxima seleção. Para os sub-19, com certeza perderemos algumas opções. Isso faz parte do ciclo natural. Se acreditamos que jogadores têm potencial de atuar em um nível superior, precisam fazer isso. Não há problema para nós, treinadores da seleção; é até uma honra ver seus progressos.
Bola na Rede: Você acredita que a geração de 2008 pode representar uma mudança no paradigma do futebol juvenil em Portugal, aumentando o orgulho e a aposta nos jovens talentos?
Bino Maçães: Sim. Falaria sobre a importância da aposta e o orgulho no trabalho dos jovens para provar isso. Não devemos esquecer que o caminho é deles e que eles terão que trilhá-lo. Estamos cientes de que temos muitos talentos. O mercado mudou de uma maneira sem precedentes, permitindo contratações de diferentes lugares, e ainda existem equipes em Portugal que têm poucos ou nenhum jogador português. Portanto, é necessário pensar no que desejamos para o futebol português e o que os clubes almejam para si próprios. Há talento a ser explorado, e podemos, de fato, investir nesses jogadores.Eles também podem contribuir financeiramente aos clubes e alimentar as equipes principais, mas, muitas vezes, os clubes pretendem usar esses jovens para estabilizar suas finanças. O panorama mudou, mas o futuro está em suas mãos.







