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Linha SOS Pessoa Idosa: 67% das vítimas carecem de apoio social integrado
Setembro 30, 2025

Linha SOS Pessoa Idosa: 67% das vítimas carecem de apoio social integrado

Na véspera do Dia Nacional da Pessoa Idosa, a entidade que iniciou esta linha nacional, a Fundação Bissaya Barreto, situada em Coimbra, apresenta dados coletados ao longo de mais de dez anos, destacando a importância da proteção à saúde mental e das redes de apoio na luta contra a violência direcionada a essa faixa etária.... Read More


Na véspera do Dia Nacional da Pessoa Idosa, a entidade que iniciou esta linha nacional, a Fundação Bissaya Barreto, situada em Coimbra, apresenta dados coletados ao longo de mais de dez anos, destacando a importância da proteção à saúde mental e das redes de apoio na luta contra a violência direcionada a essa faixa etária.

Desde o seu lançamento em 2014, a linha recebeu mais de 2.000 solicitações de assistência relacionadas a idosos que sofreram violência, com a violência psicológica sendo relatada em 55% dos casos, seguida pela negligência (41%), pela violência financeira (28%) e pela violência física (20%).

Além disso, as situações de abandono representam 11%, a violência institucional atinge 8% e a autonegligência ocorre em 12% dos casos, conforme os dados disponibilizados hoje pela agência Lusa.

O estudo revela que a maioria dos agressores que atacam pessoas idosas reside na mesma casa que as vítimas (47%), sendo frequentemente filhos ou cônjuges, o que encobre a violência e dificulta a sua denúncia. Metade dos agressores é filho(a) da vítima, e aproximadamente 21% dos episódios de violência se prolongam por mais de cinco anos, “revelando um caráter reiterado”.

A maior parte das situações reportadas envolve mulheres, frequentemente viúvas, que se encontram em condição de dependência física ou cognitiva e têm redes de apoio familiar ou comunitário limitadas, de acordo com as informações da Linha SOS Pessoa Idosa, sob a coordenação de Marta Ferreira.

A análise dos casos indica que a saúde mental é uma das áreas mais críticas, com cerca de um quarto das vítimas apresentando sinais ou diagnósticos de demência, e 22% enfrentando problemas de saúde mental, “fatores que aumentam a vulnerabilidade e o risco de isolamento”, conforme a análise realizada. Além disso, muitos agressores também apresentam problemas de saúde mental, que são frequentemente identificados como indicadores de violência.

Os dados indicam que cerca de 30% dos agressores enfrentam problemas relacionados à saúde mental, frequentemente associados ao consumo de substâncias como álcool ou drogas (11%).

Adicionalmente, a fundação ressalta que a sobrecarga dos cuidadores (12%), o isolamento social, histórico de violência e a dependência de moradia dos idosos são fatores que agravam esse ciclo de abuso.

Segundo Marta Ferreira, responsável por este serviço nacional, “as redes de apoio representam uma das ferramentas mais poderosas na prevenção e combate à violência, mas, infelizmente, o alcance é limitado”, ressaltando que “esse acompanhamento permite a detecção de casos e intervenções mais eficazes, transformando a rede de apoio em um verdadeiro fator de proteção e prevenção da violência”.

“É crucial que se ampliem os recursos disponíveis e assegurar que a saúde mental ganhe uma posição central nas políticas públicas e ações institucionais”, defende.

Apesar da gravidade da questão, os dados apontam que a subnotificação continua alta, pois em 58% das situações é solicitado anonimato e muitos idosos optam por não denunciar devido ao medo, à vergonha ou à dependência emocional e financeira.

“O silêncio continua sendo o maior aliado da violência. É essencial que a comunidade esteja atenta e que as redes de apoio atuem de maneira eficaz”, alerta Marta Ferreira.

Desde maio de 2014, o Serviço SOS Pessoa Idosa oferece uma linha nacional gratuita (800 102 100) e um endereço de e-mail, sospessoaidosa@fbb.pt, para denúncias de situações de violência ou negligência.

O serviço “garante anonimato a quem busca ajuda e oferece atendimento direto e personalizado, assim como mediação familiar. Ao mesmo tempo, promove a articulação entre governo, instituições, organizações, comunidades e cidadãos, visando fortalecer as redes de apoio e valorizar as pessoas idosas”.

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